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Secretário de Estado dos EUA diz que oposição venceu eleição na Venezuela

“Infelizmente, a contagem dos votos e o anúncio dos resultados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado por Maduro, foram profundamente distorcidos”

Redação Jornal de Brasília

01/08/2024 21h40

Caracas, 01 – O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse nesta quinta-feira, 1º, que o candidato da oposição Edmundo González Urrutia venceu as eleições na Venezuela. “Dada a evidência esmagadora, está claro para os EUA e, mais importante, para o povo venezuelano que Edmundo González Urrutia ganhou a maioria dos votos na eleição presidencial de 28 de julho”, disse Blinken, em comunicado.

“Infelizmente, a contagem dos votos e o anúncio dos resultados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado por Maduro, foram profundamente distorcidos e não representam a vontade do povo venezuelano”, escreveu Blinken.

“A oposição publicou mais de 80% das atas de votação recebidas diretamente das seções eleitorais de toda a Venezuela. Elas mostram que González Urrutia recebeu a maior quantidade de votos por uma margem insuperável.”

O comunicado de ontem foi a posição mais dura do governo americano até agora contestando o resultado das eleições. Na quarta-feira, a Casa Branca já havia declarado que a paciência dos EUA estava se esgotando com Maduro.

Incômodo

Ontem, presidentes de México, Brasil e Colômbia se reuniram por videoconferência para montar uma estratégia conjunta sobre a crise na Venezuela. Em nota, Luiz Inácio Lula da Silva, o mexicano Andrés Manuela López Obrador e o colombiano Gustavo Petro exigiram as atas de votação, que mostrariam de onde saíram os votos que deram a vitória ao ditador chavista, Nicolás Maduro

“As controvérsias sobre o processo eleitoral devem ser dirimidas pela via institucional. O princípio fundamental da soberania popular deve ser respeitado mediante a verificação imparcial dos resultados”, diz a nota assinada pelos três.

Em meio ao ceticismo com relação à vitória de Maduro e às críticas ao chavismo feitas pela maioria dos governos da América Latina, México, Colômbia e Brasil preferiram adotar cautela. Dos três, Lula resvalou para a condescendência, minimizando indícios de fraude e chamando de “normal” o processo eleitoral venezuelano.

União

López Obrador chegou a dizer que não havia provas da fraude. Já Petro foi o mais incomodado. Desde o início, ele pediu que Maduro divulgasse as atas de votação e disse que tinha “graves dúvidas” sobre o resultado da eleição.

Na quarta-feira, 31, México, Brasil e Colômbia se uniram para derrubar uma resolução da OEA que exigia mais transparência do governo venezuelano. A reunião terminou com 17 votos favoráveis ao texto – um a menos do que o necessário para aprovação. Foram 11 abstenções, entre elas as de Brasil e Colômbia, e 5 ausências, incluindo a do México. O resultado enfureceu o presidente da Argentina, Javier Milei, que disparou contra Lula, Petro e López Obrador, acusando os três de “cúmplices” da ditadura.

Agradecimento

A fúria de Milei ocorreu horas após ele agradecer ao Brasil por ter assumido a segurança da embaixada da Argentina em Caracas, após a expulsão do corpo diplomático ordenada por Maduro. Com isso, o governo brasileiro também se responsabilizou pelos seis opositores que permanecem no prédio – todos da equipe de María Corina Machado.

“Agradeço enormemente a disposição do Brasil em assumir a custódia da embaixada argentina na Venezuela. Também agradecemos a representação momentânea dos interesses da Argentina e dos seus cidadãos”, escreveu Milei no X (ex-Twitter).

A Argentina havia solicitado a solidariedade de outros países para proteger os dissidentes asilados em sua embaixada em Caracas. O governo peruano fez um pedido parecido, também atendido pelo governo brasileiro, que também deverá assumir as operações da embaixada do Peru. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

Estadão Conteúdo

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