O atual ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, comunicou as demissões do militar de máxima graduação na Alemanha e do secretário de Estado em um comparecimento no Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento alemão).
O jornal Bild revela hoje um relatório militar segundo o qual a Defesa “tinha claros indícios” de que houve mortes entre civis “apenas horas depois do ataque” aéreo, ordenado por um militar alemão, mas, apesar disso, o então ministro Franz Josef Jung afirmou durante dias que o bombardeio só havia atingido insurgentes talibãs.
Segundo o jornal, esse relatório foi escondido pelo ministério também da Procuradoria Federal, encarregada de determinar se existem suficientes argumentos para abrir um sumário.
Jung – que atualmente ocupa a pasta do Trabalho e Assuntos Sociais no novo gabinete da chanceler alemã, Angela Merkel – disse hoje, pelo contrário, que não foi descartada a possibilidade de que houvesse vítimas civis a partir de 6 de setembro, dois dias depois do bombardeio.
Explicou que as primeiras informações recebidas de fontes afegãs, assim como da Polícia, do governador regional e das autoridades provinciais, indicavam que as vítimas eram “talibãs e seus aliados”.
Diante do Bundestag, no entanto, Guttenberg confirmou hoje a existência do relatório do Exército alemão citado pelo Bild, do qual ele teve conhecimento pela primeira vez ontem, um mês após ter assumido a pasta da Defesa.
Após afirmar que será preciso realizar uma “nova avaliação” do caso à luz das novas informações, o ministro da Defesa comentou que na legislatura passada foram escondidos outros relatórios sobre a atuação alemã no Afeganistão, sobre os quais não deu detalhes.
O ataque aéreo da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) foi lançado em 4 de setembro a pedido do então comandante do contingente alemão em Kunduz, Georg Klein, e custou a vida de até 142 pessoas, muitas delas civis, segundo diversos relatórios.