Menu
Mundo

Saudita é julgado por ataque em mercado de Natal na Alemanha em 2024

Taleb Jawad al-Abdulmohsen, que expressava simpatia pela extrema direita e hostilidade ao islã, responde por assassinato e tentativa de homicídio em julgamento marcado por alta repercussão política

Redação Jornal de Brasília

10/11/2025 14h36

Foto: Ronny HARTMANN / AFP

Foto: Ronny HARTMANN / AFP

Um saudita islamofóbico admitiu, nesta segunda-feira (10), ter avançado com um carro contra uma multidão em um mercado de Natal em Magdeburgo, na Alemanha, em 2024, alegando confusas motivações políticas e religiosas, no início do julgamento pelo ataque que deixou seis mortos e mais de 300 feridos.

“Eu sou quem dirigiu o carro”, afirmou Taleb Jawad al-Abdulmohsen, médico de 51 anos acusado pelos assassinatos, em 20 de dezembro de 2024, de um menino de nove anos e de cinco mulheres com idades entre 45 e 75 anos, além de 338 tentativas de homicídio.

Segundo a acusação, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

Durante mais de quatro meses, a Justiça alemã tentará esclarecer as motivações do réu, um refugiado que demonstrava nas redes sociais simpatia pelo partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e hostilidade ao islã e ao governo alemão.

Abdulmohsen sorriu no início do julgamento, enquanto se sentava em um cubículo à prova de balas.

O grande número de vítimas e testemunhas levou as autoridades a construir uma sala temporária para as audiências, já que nenhum tribunal do estado da Saxônia-Anhalt, onde fica Magdeburgo, no leste da Alemanha, tinha capacidade para abrigar o julgamento.

Após ouvir sem demonstrar emoção a leitura da acusação, Abdulmohsen fez um discurso incoerente sobre políticos, a violência contra as mulheres em sua aldeia saudita e ressentimentos religiosos, além de críticas à polícia e à imprensa, enquanto assoava o nariz e soluçava.

O perfil atípico do suspeito chamou atenção após o ataque que, além de reacender o debate migratório a dois meses das eleições gerais, expôs falhas de segurança durante o evento.

Abdulmohsen chegou à Alemanha em 2006 e obteve o status de refugiado dez anos depois. Desde 2020, trabalhava como psiquiatra, apesar das dúvidas sobre suas competências.

“Quero que o condenem e que nunca mais saia da prisão”, declarou à AFP Kerstin Schulenburg, de 54 anos, que comia waffles com o sobrinho de quatro anos no mercado na tarde de 20 de dezembro, dez minutos antes do ataque.

A tragédia de Magdeburgo aumentou a pressão sobre o então chefe de governo, o social-democrata Olaf Scholz, em plena campanha eleitoral.

O partido de extrema direita AfD organizou uma manifestação na cidade três dias depois, antes de conquistar um histórico segundo lugar nas eleições de fevereiro.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado