Atualizada às 12h35
O presidente francês, stuff Nicolas Sarkozy, ameaçou hoje no Cairo romper as relações com a Síria se Damasco não contribuir para a escolha de um novo presidente no Líbano e pediu que a comunidade internacional dialogue com o Irã para resolver a crise nuclear.
“Não manterei contatos com os sírios a menos que recebamos provas de que eles permitiram aos libaneses escolher um presidente de consenso”, afirmou Sarkozy em entrevista coletiva no Cairo com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.
O presidente francês iniciou hoje uma visita oficial de dois dias ao Cairo, onde se reuniu esta manhã com Mubarak, com quem discutiu o projeto da União pelo Mediterrâneo, o programa nuclear pacífico do Egito, o processo de paz entre palestinos e israelenses e a situação no Iraque e em Darfur. Segundo o presidente francês, “a Síria deveria deixar de falar e começar a fazer algo. Não podemos esperar para sempre”, ressaltou.
Já Mubarak considerou que “é inaceitável que o Líbano permaneça paralisado sem presidente” e pediu ao regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, que intervenha para conseguir a reconciliação, “porque de outra forma o assunto se tornará mais complicado”.
Para Mubarak, a Síria é o país que exerce “uma maior influência sobre as facções libanesas” e, por esse motivo, deve intervir no país. O Líbano vive um vazio presidencial desde 24 de novembro, diante da incapacidade do Parlamento de escolher um presidente devido às divergências entre os diferentes grupos políticos.
Quanto ao Irã, Sarkozy afirmou que a França continuará adotando uma aproximação baseada no “diálogo e na justiça” para tratar a crise com o regime iraniano devido a seu programa nuclear.
“Não vamos nos render diante do Irã, porque sem um diálogo mútuo empurraremos o mundo à beira da catástrofe”, afirmou.
Em relação à cooperação franco-egípcia, o chefe de Estado francês voltou a lembrar a vontade do país de ajudar o Egito a desenvolver seu programa nuclear com fins pacíficos. “O Egito tem o direito, assim como outros Estados árabes, a se beneficiar da energia nuclear”, afirmou.
No sábado, o jornal egípcio Al-Ahram publicou uma entrevista na qual Sarkozy manifestou a disposição da França a colaborar com o Egito no campo da energia nuclear para uso pacífico.
Na entrevista, Sarkozy anunciou também que a França “se transformará em breve no primeiro investidor europeu no Egito”, com a entrada em vigor de um acordo pelo qual o fabricante francês de materiais de construção Lafarge comprará a companhia egípcia Orascom Cement por 8,8 bilhões de euros.
Por outro lado, Sarkozy aproveitou para falar do projeto da União pelo Mediterrâneo e dissipar qualquer dúvida proveniente de outros países sobre a possibilidade de que a entidade substitua a União Euro-mediterrânea, lançada em Barcelona em 1995.
Sarkozy afirmou que o projeto “foi lançado em cooperação com os Governos italiano e espanhol com o objetivo de aumentar as relações entre os Estados mediterrâneos em vários âmbitos”. Mubarak acrescentou que a iniciativa não será uma alternativa ao processo de Barcelona.
O presidente francês anunciou ainda que em 2008 mandará ao Egito um enviado francês para preparar um documento que será apresentado na cúpula de Estados mediterrâneos, que será realizada em Paris, em 13 de julho.
“Acredito no Mediterrâneo e na paz no Mediterrâneo. Esta iniciativa não é francesa, mas relacionada com todos os povos da região”, disse.
Sarkozy se referiu também ao processo de paz no Oriente Médio, ao advertir que “não haverá paz sem a criação de um Estado palestino independente e democrático que conviva com Israel”. Ele pediu ao primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que Israel deixe de construir mais assentamentos e defendeu que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) continue com Mahmoud Abbas, em vez de estar nas mãos de “terroristas”, em referência ao Hamas.