É preciso “mudar nossa forma de fazer a Europa” para responder às preocupações dos cidadãos, disse Sarkozy, decidido a impulsionar imediatamente iniciativas para “ser mais eficazes a serviço da vida cotidiana dos europeus”, durante sua Presidência de turno da União Européia (UE), que começará em julho.
Em coletiva de imprensa conjunta com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no Palácio do Eliseu, Sarkozy afirmou que o “não” irlandês ao Tratado de Lisboa é “uma realidade política”.
A questão “não é saber se gostamos ou não. O povo irlandês se pronunciou. É uma realidade. É preciso aceitar”, destacou Sarkozy.
No plebiscito irlandês da última quinta-feira, cujos resultados foram anunciados na sexta, o “não” ao acordo venceu com 53,4% dos votos.
Sarkozy disse que ele e a chanceler alemã, Angela Merkel, acreditam que deve ser dado prosseguimento à ratificação do tratado, que já foi aprovado por 18 dos 27 Estados da UE, para que “este incidente irlandês não se transforme em uma crise”.
O presidente francês afirmou que esta também é a intenção do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, com o qual conversou na sexta-feira.
Portanto, o “primeiro elemento” é continuar com o processo de ratificação, ressaltou, antes de acrescentar que o segundo é a necessidade de todos “refletirem juntos”, já que o “não” irlandês “não é uma eventualidade nem uma surpresa”.
“Muitos europeus não entendem a forma como se constrói a Europa neste momento. Temos que levar isso em conta muito rapidamente” e “mudar nossa forma de fazer a Europa”, destacou, ao insistir em que “não há direito de sabotar” a “grande” idéia que é a UE.
Para Sarkozy, é preciso “agir de forma diferente”, já que a Europa, concebida para “proteger”, “preocupa” tantos europeus.
“É preciso levar isso em conta. Não dentro de seis meses, mas agora”, disse o presidente, resolvido a que se adotem “iniciativas”, como pactuar uma política européia de imigração e dar “uma resposta européia à escalada sem fim do preço do petróleo”.
“Temos um dever de ser mais eficazes a serviço da vida cotidiana dos europeus”, ressaltou Sarkozy, que vê o “não” irlandês ao tratado como “um apelo a fazer mais e melhor, de forma diferente, e a encontrar juntos as soluções”.
Ele admitiu que a rejeição irlandesa ao tratado “não facilitará” o trabalho da Presidência francesa da UE.
Sarkozy foi um dos principais artífices do Tratado de Lisboa, voltado a substituir a fracassada Constituição da UE, cuja rejeição por franceses e holandeses em referendos em 2005 fez com que o bloco ficasse imerso em uma grave crise institucional.