Sarah Mullally, de 63 anos, foi confirmada nesta quarta-feira como a primeira mulher a ocupar o cargo de arcebispa de Canterbury, liderança máxima da Igreja da Inglaterra em 492 anos de história. A cerimônia ocorreu na Catedral de São Paulo, em Londres, confirmando a nomeação anunciada há quase quatro meses. Mullally, enfermeira especializada em cuidados a vítimas de câncer que mais tarde se tornou clériga, é casada e mãe de dois filhos.
A nomeação representa um marco para a Igreja da Inglaterra, que ordenou suas primeiras mulheres como sacerdotes em 1994 e a primeira bispa em 2015. A instituição remonta ao século XVI, quando se separou da Igreja Católica Romana durante o reinado de Henrique VIII. No entanto, a escolha pode agravar divisões na Comunhão Anglicana, que conta com 100 milhões de membros em 165 países e está dividida sobre temas como o papel das mulheres no clero e os direitos de pessoas LGBT.
Embora não tenha um líder formal, o arcebispo de Canterbury é tradicionalmente visto como a figura espiritual central da comunhão, que inclui a Igreja Episcopal nos Estados Unidos. Mullally substitui Justin Welby, que renunciou em novembro de 2024 após críticas por não ter comunicado à polícia alegações de abusos físicos e sexuais cometidos por um voluntário em um acampamento ligado à igreja.
A nova arcebispa também enfrentará desafios relacionados a escândalos de abuso sexual que afetam a igreja há mais de uma década. A organização Gafcon, de anglicanos conservadores, criticou a nomeação, argumentando que a maioria da Comunhão Anglicana acredita que apenas homens devem ser bispos, e destacou o apoio de Mullally à bênção de uniões entre pessoas do mesmo sexo.
A nomeação foi feita por uma comissão de 17 membros, composta por clérigos e leigos, e confirmada pelo rei Carlos III, supremo governador da igreja. O processo se completará em 25 de março, com a posse formal de Mullally como bispa da diocese de Canterbury na catedral homônima.