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Sakineh Ashtiani faz confissão pública e segue presa

Arquivo Geral

11/12/2010 11h20

Com um estranho ar de serenidade, uma mulher identificada como Sakineh Mohammadi Ashtiani confessou nesta sexta-feira que cometeu adultério com um empresário chamado Isa Taherí e que os dois eletrocutaram seu marido.

 

Vestida de preto e com um hijab marrom cobrindo a cabeça, a mulher cuja possível condenação à morte mobilizou toda a comunidade internacional, guiou as câmaras da televisão estatal iraniana em seu suposto domicílio em uma reconstrução macabra de fatos que ainda parecem confusos.

 

O documentário começa com uma voz feminina em off que assegura que os diversos envolvidos complicaram uma trama definida como “a história de uma traição que conduziu ao assassinato”.

 

Depois cede a palavra a uma mulher madura, com o rosto sereno, mas abalado pelos golpes da vida, muito diferente da tez jovem com ar inocente envolvida em um chador preto que a tornou famosa desde quando o caso se tornou público internacionalmente.

 

Sentada com um fundo marrom, a nova imagem de Sakineh explica como depois de seu marido ficar desempregado e ir trabalhar em outra cidade sofreu o assédio telefônico de Taherí, acabou cedendo, e os dois se encontraram em um parque onde consumaram “algumas vezes” o crime sexual na fábrica do pai de seu amante.

 

Depois, assegura que Taherí a induziu a drogar seu marido para deixá-lo inconsciente e electrocutá-lo.

 

Em seguida aparece uma série de imagens que misturam o corpo sem vida do suposto marido e uma reconstrução protagonizada pela própria Sakineh em um apartamento muito pobre.

 

Na sequência, a mulher mostra como sedou o homem caído e depois abriu a porta para outro homem que a ajudou a colocar alguns fios nos dedos dos pés e em outras partes do corpo de seu marido.

 

A narradora explica depois que existem duas versões sobre a confissão de Sakineh: uma que teria sido produto de um interrogatório e outra fruto do arrependimento da própria mulher por sua ação.

 

Além disso, assegura que existe uma denúncia e provas que demonstram que Sakineh trabalhava como prostituta.

 

Uma vez concluída a reconstrução, o documentário arremete contra a presidente do Comitê Internacional Contra o Apedrejamento, Mina Ahadi, contra o primeiro advogado de Sakineh, Mohammad Mostafaei, e contra a imprensa mundial, acusada de usar o caso com fins políticos.

 

O documentário denuncia que Mina faz parte de um grupo terrorista contrário à República Islâmica e a acusa de buscar vingança pela condenação de seu marido.

 

Mina também é acusada de ter utilizado os dois jornalistas alemães, atualmente presos no Irã, para conseguir um maior impacto midiático internacional.

 

Mostafaei é recriminado por ter mentido ao dizer que não tinha cobrado pela defesa de Sakineh, e acusado de ter orquestrado, junto a Mina, a campanha internacional.

 

Além disso, diz que o filho da acusada, Sajad Ghaderzadeh, e seu advogado, Javid Houtan Kian, foram vítimas da politizada campanha mundial.

 

Quanto aos jornalistas alemães presos no em 10 de novembro, quando foram entrevistar Sajad na presença de Kian, o documentário os acusam de entrada ilegal no país e de tirarem fotografias de lugares proibidos.

 

O documentário termina com um parágrafo no qual se afirma que Sakineh “continua presa” e a afirmação de que o Poder Judiciário seguirá adiante com o processo “sem se deixar influenciar” pelo barulho em torno do mesmo.

 

O caso de Sakineh, de 43 anos, foi divulgado há alguns meses quando seu primeiro advogado revelou que, após esgotar todas as vias legais e em processo irregular e opaco, a mulher tinha sido condenada por adultério e que por isso seria apedrejada até a morte.

 

A condenação despertou duras críticas e protestos internacionais, o que obrigou o regime iraniano a suspender a condenação e a afirmar que a sentença estava em processo de revisão.

 

Desde então, a história foi um cúmulo de contradições e declarações cruzadas que evidenciaram as divisões existentes no seio do regime iraniano.

 

Às vésperas da Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, assegurou que a pena capital contra a mulher não tinha sido ditada ainda.

 

Apenas algumas semanas depois, o porta-voz do Poder Judiciário e procurador-geral do Estado, Gholam Hossein Mohseni Ejei, contradisse o líder e afirmou que havia ficado provado que Sakineh participou do assassinato de seu marido e foi adúltera.

 

Ejei chegou a afirmar que a sentença já tinha sido ditada e que a mulher seria enforcada, já que o crime de assassinato prevalecia sobre o de adultério.

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