O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, afirmou que Gonzales nunca foi a pessoa adequada para o cargo, porque, entre outras razões, “carecia de independência”. Sua renúncia, que será efetivada no próximo dia 17 de setembro, põe fim a um período no qual o Departamento de Justiça “sofreu uma grave crise de liderança”, segundo o presidente do comitê Judicial do Senado, o democrata Patrick Leahy.
“Finalmente, o procurador-geral fez a coisa certa, e renunciou”, disse o senador democrata Charles Schumer, enquanto seu companheiro de partido Edward Kennedy pediu ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que nomeie o mais rápido possível um sucessor que “respeite as leis e restaure a integridade” do Departamento de Justiça americano.
“Antes tarde do que nunca”, disse o candidato democrata à Presidência John Edwards. O governador do Novo México e também candidato à Presidência, Bill Richardson, disse, por sua vez, que “já era hora de o secretário abandonar o cargo”.
Outra pré-candidata à Presidência, a senadora democrata Hillary Clinton, ressaltou o fato de que Gonzales “sempre demonstrou lealdade ao presidente, não aos americanos”. Entre os republicanos, também há aqueles que se alegraram com a notícia, embora em um tom notadamente mais baixo, como é o caso do senador republicano de maior categoria no Comitê Judicial do Senado, Arlen Specter.
O legislador republicano Roy Blunt, por sua vez, defendeu o “profundo compromisso do secretário de Justiça com o serviço público”, e agradeceu por seu duro trabalho em defesa do país. Para o senador republicano John Cornyn, o maior erro de Gonzales foi “subestimar a ferocidade” dos ataques da oposição.
Mitch McConnell, líder da minoria republicana no Senado, se limitou a expressar seu desejo de que o próximo secretário de Justiça não tenha que sofrer com lutas partidárias como as que, na sua opinião, atingiram Gonzales.
Este é o mesmo argumento apresentado hoje pelo presidente Bush, em sua breve declaração na qual anunciou que havia aceitado a renúncia de Gonzales. Segundo o líder americano, o secretário de Justiça abandona o posto após “meses de tratamento injusto”.
“Gonzales é um homem de integridade, decência e princípios. Aceitei sua renúncia a contragosto, com grande apreço pelo serviço que prestou a nosso país”, disse Bush.