A polícia russa prendeu nesta quarta-feira (2) a diretora de um centro de cuidados paliativos infantis sob suspeita de divulgar “informações falsas” sobre o Exército, informou seu advogado à AFP.
Lida Moniava, de 38 anos, é fundadora e diretora de uma organização beneficente com sede em Moscou que oferece cuidados paliativos a crianças e jovens.
Ela pode ser condenada a “até dez anos de prisão por divulgação de informações falsas sobre as ações das Forças Armadas russas”, afirmou seu advogado, Mikhail Biriukov.
Moniava também criou um fundo para crianças doentes que, até recentemente, ajudava refugiados ucranianos na Rússia.
Ela foi “detida provisoriamente após uma busca em sua residência e um interrogatório nesta quarta-feira”, e um tribunal decidirá na quinta-feira se prolongará sua detenção, acrescentou Biriukov.
O Comitê de Investigação da Rússia acusa Moniava de ter “divulgado publicamente no Telegram informações falsas sobre as ações das Forças Armadas russas contra a população civil na Ucrânia”.
Segundo Biriukov, a acusação se baseia em uma mensagem publicada por sua cliente no Telegram em 24 de fevereiro de 2023, na qual citava estatísticas da ONU e mencionava os milhares de civis mortos na Ucrânia.
Moniava já havia sido condenada em fevereiro a pagar uma multa de 45 mil rublos (cerca de R$ 2.800) por ter “desacreditado” o Exército russo em três mensagens no Telegram, segundo a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.
A Rússia intensificou a repressão às vozes críticas por meio de medidas de censura e condenações a anos de prisão.
Quase todos os opositores estão presos, mortos ou no exílio.
AFP