“Não recebemos nenhuma negativa. Esperamos a confirmação oficial iraniana de tal mecanismo, que foi acordado por todos os participantes das negociações de Viena” do último dia 19, disse Lavrov, segundo as agências de notícias russas.
O chefe da diplomacia russa ressaltou que a proposta “recolhe a tese que foi utilizada em tantas ocasiões pelos iranianos: que eles enriquecem urânio exclusivamente a fim de usá-lo como combustível”.
“A Rússia corroborou o esquema, os americanos o aprovaram, os franceses, pelo que eu sei, também. Os iranianos disseram que dariam uma resposta nos próximos dias”, disse o ministro.
O Irã pediu à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tempo para tomar uma decisão definitiva sobre a proposta de processar no exterior 80% de seu urânio pouco enriquecido para sua conversão em combustível nuclear.
Esse combustível se destinaria ao reator de pesquisa iraniano, que precisa de urânio enriquecido em 20% e cujos isótopos são usados em tramentos de câncer, segundo o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
Segundo a AIEA, este programa de enriquecimento de urânio diminuiria em grande medida a desconfiança de países do Ocidente em relação ao Governo iraniano, ao reduzir sua capacidade de fabricar armas nucleares.
As potências ocidentais pretendem tirar do Irã 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido do total de 1,5 tonelada que esse país produziu.
Em princípio, para produzir uma bomba atômica são necessárias quase duas toneladas de urânio enriquecido a 90%.
Lavrov, que sempre se mostrou contrário às sanções contra o Irã, revelou a iniciativa da AIEA no início de outubro.
O ministro russo assegurou que foi o Irã que se dirigiu à AIEA para que o combustível nuclear seja fornecido ao país sob a supervisão da entidade.
Em 2008, a Rússia concluiu o fornecimento de combustível nuclear com destino à primeira usina nuclear iraniana, construída por engenheiros russos às margens do Golfo Pérsico.
À época, Moscou propôs ao Irã que processasse urânio no primeiro centro internacional de enriquecimento que começará a operar em breve na Sibéria, mas os iranianos rejeitaram a oferta.