O embaixador russo em Caracas, Vladmir Zaemsky, afirmou hoje que seu país não vê “razão” para que haja preocupação pelos acordos militares entre seu país e a Venezuela, pois estes cumprem “incondicionalmente” as regras internacionais.
Zaemsky criticou a atitude de “alguns veículos de comunicação venezuelanos que pintam a Rússia como inimiga do povo venezuelano” por causa destes acordos assinados entre as duas nações.
Entre os pontos acertados entre os países está a criação de uma fábrica de fuzis AK no estado venezuelano de Aragua, no norte do país.
O chefe da delegação diplomática russa, que apresentou as credenciais recentemente, deu estas declarações em entrevista coletiva na sede da Embaixada em Caracas.
O acordo militar foi assinado no dia 15 de agosto na Rússia pelo subdiretor do Serviço Federal de Segurança do país, Vyacheslav Ushakov, e o vice-presidente e ministro da Defesa da Venezuela, Ramón Carrizález.
Em setembro foi a vez de o presidente Hugo Chávez viajar a Moscou. Após a visita, Chávez disse que recebeu um crédito do Governo da Rússia para a compra de armamento de empresas russas.
“O Governo russo aprovou um financiamento de US$ 2,2 bilhões para a despesa em armamento. Graças ao apoio do presidente russo (Dimitri Medvedev) e do primeiro-ministro (Vladimir Putin) foi viável a compra de armamento para aumentar nossa capacidade de defesa”, disse o presidente venezuelano no dia 13 de setembro.
O novo arsenal inclui 92 tanques T-72 e “um poderoso sistema antiaéreo” com um número não revelado de foguetes “reativos”.
Nos últimos anos, Chávez efetuou grandes compras de armas à Rússia, entre elas 24 caças-bombardeiros Sukhoi-30, cinquenta helicópteros MIM-17, M-26 e M-35 e 100 mil fuzis AK, tudo isso por mais de US$ 3 bilhões, segundo fontes russas.
Ainda em setembro, a Assembleia Nacional (AN, Parlamento) da Venezuela, de maioria governista, decretou segredo em relação ao acordo militar assinado com a Rússia, o que gerou críticas na oposição, que o comparou com o assinado entre Colômbia e Estados Unidos.
O embaixador russo em Caracas minimizou a decisão, dizendo que “não há secretismo, apenas a confidencialidade própria deste tipo de acordos”.
Zaemsky evitou divulgar dados sobre os pontos do acordo e o cronograma de chegada de novo equipamento militar à Venezuela, alegando não estar autorizado para fornecer esse tipo de informação.