FOLHAPRESS
A Rússia condenou o ataque dos Estados Unidos na Venezuela, afirmando que não havia justificativa para a ação e que a “hostilidade ideológica” prevaleceu sobre a diplomacia. Neste sábado (3), o presidente americano Donald Trump afirmou que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados após a ofensiva.
“Na manhã de hoje, os EUA cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável”, disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado. “A hostilidade ideológica triunfou sobre o pragmatismo dos negócios”, acrescentou Moscou, afirmando também que a América Latina deve continuar sendo uma “zona de paz”.
O ministério russo também disse estar “extremamente preocupado” com os relatos de que Maduro e sua esposa foram retirados à força da Venezuela, afirmou que “tais ações, se realmente ocorreram, constituem uma violação inaceitável da soberania de um Estado independente” e instou Washington a esclarecer a situação imediatamente.
Mais tarde, Moscou pediu que Washington liberte Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Segundo Trump, o ditador e a primeira-dama estão em um navio militar americano no Caribe, de onde partirão para Nova York para serem julgados por narcoterrorismo e crimes relacionados a tráfico de drogas.
O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma “agressão milit ar” dos EUA após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da situação, a Venezuela declarou estado de emergência.
O Irã, aliado de Caracas, também condenou o ataque militar dos EUA à Venezuela, classificando-o de “uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial” e pedindo que o Conselho de Segurança da ONU “aja imediatamente para interromper a agressão ilegal”.
A China condenou a ação militar americana e disse que está “profundamente chocada” com o ataque.
“A China se opõe firmemente a esse comportamento hegemônico dos EUA, que viola gravemente o direito internacional, viola a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Instamos os EUA a respeitar o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países”, diz o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
Mais cedo, Pequim pediu que cidadãos chineses que vivem na Venezuela não saíssem às ruas, segundo a mídia estatal.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse que conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o embaixador do bloco europeu na Venezuela. “A UE repetidamente declarou que Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados. Pedimos moderação”, escreveu.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, endossou o comunicado de Kallas. “Estamos ao lado do povo venezuelano e apoiamos uma transição pacífica e democrática. Qualquer solução deve respeitar o direito internacional e a Carta da ONU.”
A Espanha se ofereceu como negociadora para ajudar a encontrar uma solução pacífica na Venezuela, e a Alemanha disse que observa a situação com grande preocupação. Um texto escrito obtido pela agência de notícia Reuters disse que o ministério alemão das Relações Exteriores está em contato próximo com a embaixada em Caracas e que uma equipe de crise se reunirá mais tarde neste sábado.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que não houve envolvimento britânico nos ataques dos EUA à Venezuela e que deseja falar com Trump para entender todos os fatos.
“Quero estabelecer os fatos primeiro. Quero falar com o presidente Trump. Quero falar com aliados.
Posso ser absolutamente claro que não estivemos envolvidos, e sempre digo e acredito que todos devemos respeitar o direito internacional”, disse em declaração a veículos britânicos.
A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, afirmou que o país não participa das operações militares americanas. “Trinidad e Tobago continua a manter relações pacíficas com o povo da Venezuela”, afirmou.
Na América Latina, a única reação de apoio ao ataque até o momento veio do presidente da Argentina, Javier Milei, em declaração no X: “A liberdade avança. Viva a liberdade, c
”.
O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, escreveu que o país “exige uma reação urgente da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela”. “Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América”, disse.
“Condenamos veementemente o bombardeio dos EUA à Venezuela. Trata-se de um ato brutal de agressão imperial que viola sua soberania. Nossa total solidariedade ao povo venezuelano em sua resistência”, disse o ex-presidente da Bolívia Evo Morales em suas redes sociais.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, expressou preocupação e condenou as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela, ao mesmo tempo em que pediu uma solução pacífica para a crise. “A crise venezuelana deve ser resolvida por meio do diálogo e do apoio do multilateralismo, não por meio da violência ou da interferência estrangeira”, declarou o chileno.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou em seu perfil no X um comunicado oficial sobre os ataques na Venezuela, afirmando que seu governo enxerga com profunda preocupação os relatos de explosões e atividades aéreas incomuns registradas no país vizinho. Petro também ordenou neste sábado mobilização de militares para a fronteira com a Venezuela.
O presidente Lula (PT) disse que a ofensiva ultrapassa uma linha “inaceitável”. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, escreveu no X.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, escreveu em sua conta do X que Tel Aviv celebra a captura de Maduro. “Israel saúda a remoção do ditador que liderou uma rede de drogas e terror e espera pelo retorno da democracia ao país e por relações amistosas entre os estados.”
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, condenou as ações militares dos Estados Unidos. “Com base em seus princípios de política externa e em seu compromisso com a paz, o México apela urgentemente pelo respeito ao direito internacional, bem como aos princípios e objetivos da Carta da ONU, e pelo fim de todos os atos de agressão contra o governo e o povo venezuelano”, diz carta publicada pelo governo mexicano.
“A América Latina e o Caribe são uma zona de paz, construída sobre o fundamento do respeito mútuo, da solução pacífica de controvérsias e da proibição do uso e da ameaça da força. Portanto, qualquer ação militar põe em grave risco a estabilidade regional.”