O ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, this web Serguei Lavrov, disse ontem que seu governo desconhece a razão pela qual o Executivo britânico exige a extradição de Andrei Lugovoi, a quem Londres acusa do assassinato do ex-agente Alexander Litvinenko.
Lavrov participou na última quinta-feira, em Lisboa, da reunião do Quarteto de Madrid (União Européia, ONU, Estados Unidos e Rússia), onde afirmou que desconhece o porquê de o Reino Unido querer extraditar Lugovoi, além de não ter informações sobre o documento pelo qual as autoridades britânicas realizam esse pedido.
“Ainda não vimos o pedido de extradição, embora deva dizer que não está claro por que Lugovoi é considerado suspeito”, disse ele, assegurando que Moscou “não pode violar suas próprias leis”.
“Não podemos violar nossas leis, da maneira como o Reino Unido não pode fazê-lo com as suas”, explicou, em alusão à impossibilidade de extraditar Lugovoi, empresário e antigo colaborador dos serviços de segurança de Moscou.
Lavrov ressaltou que as autoridades britânicas já puseram dificuldades para a extradição de pessoas reivindicadas por Moscou.
“Em dezembro, o Reino Unido pediu informações, e no dia seguinte agentes britânicos estavam em território russo”, lembrou, para assinalar que, em sentido contrário, “a Rússia teve que esperar três meses para poder ir a Londres investigar”.
Lavrov lembrou que Moscou pede às autoridades britânicas a extradição de vinte e três de seus cidadãos, mas “não recebeu resposta”.
“Londres reivindica cada vez mais informação”, afirmou Lavrov, que afirmou esperar que o conflito diplomático não afete as relações entre os dois países.
“Os britânicos são conhecidos por seu bom senso, e por isso espero que se chegue a uma solução”, afirmou Lavron.
O chefe da diplomacia russa deixou entrever que a polêmica entre os dois países surgiu devido à recente mudança na chefia do governo britânico, e à sua necessidade de tomar posições em diferentes frentes.
Lugovoi, que se reuniu em quatro ocasiões com Litvinenko, em Londres, entre meados de outubro e o dia de sua hospitalização, negou seu envolvimento no assassinato.
O Quarteto de Madrid se reuniu, em Lisboa, com o objetivo de alcançar uma solução que leve à paz no Oriente Médio.