A Rússia defenderá as posições sérvias sobre o Kosovo em dezembro, diante da Corte Internacional de Justiça (CIJ), com sede em Haia, afirmou hoje Serguei Lavrov, ministro de Assuntos Exteriores russo.
“A Rússia, como muitos outros países, apresentou materiais à CIJ para sua consideração no processo apresentado pela Sérvia em relação à proclamação unilateral de independência do Kosovo”, afirmou Lavrov, em entrevista coletiva conjunta com o titular da mesma pasta sérvio, Vuk Jeremic, segundo agências russas.
Lavrov insistiu em que Moscou “defenderá a necessidade de se respeitar o direito internacional e as decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e sublinhará a obrigatoriedade de se evitar ações unilaterais que contradigam a carta da ONU e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)”.
Segundo a argumentação jurídica apresentada pela Rússia, “a proclamação unilateral de independência pelos órgãos provisórios de administração autônoma do Kosovo é incompatível com o direito internacional, segundo a resolução 1244, aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, em 1999”.
A CIJ, que iniciou o estudo da independência do Kosovo a pedido da Assembleia Geral da ONU, recolhe os relatórios com a argumentação tanto de países que são a favor quanto dos que são contra.
A Rússia, que se opôs desde o início a concessão de independência ao Kosovo, advertiu então que a independência da região sérvia em fevereiro de 2008 abriria a “caixa dos trovões” dos separatismos na Europa.
Seis meses depois, Moscou reconheceu a independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul, situação reconhecido somente por Venezuela e Nicarágua, enquanto o Kosovo já foi reconhecido por 62 países.
Por outra parte, Lavrov chamou a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a reagir sobre as afirmações do primeiro-ministro albanês, Sali Berisha, sobre ter chegado a hora de unir sob um só Estado todos os territórios onde residem albaneses.