Não havera calendário para o desarmamento nuclear da Coréia do Norte na declaração do diálogo de seis lados a ser apresentada amanhã, visit this site mas ainda é possível que o desarmamento aconteça este ano, informaram hoje os negociadores.
“Se tivéssemos cumprido nosso calendário na em meados do ano, acho que agora haveria mais apetite de calendários”, explicou o negociador dos EUA, Christopher Hill, mencionando o atraso de dois meses em fechar o reator norte-coreano de Yongbyon, que aconteceu no fim de semana.
O Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou ontem o fechamento das cinco instalações de Yongbyon, como previsto no acordo de 13 de fevereiro entre as duas Coréias, EUA, Rússia, Japão e China. Em troca, Pyongyang já recebeu parte das 50.000 toneladas de petróleo prometidas. A terceira carga está prestes a chegar da Coréia do Sul.
Agora, a negociação vai vento em popa, levando em conta que o Norte realizou o primeiro teste nuclear em 9 de outubro.
O representante norte-coreano, Kim Kye-gwan, se mostrou disposto a concretizar o inventário e o desmantelamento até o fim de 2007 – uma data que os EUA ainda consideram possível. “Acho que é muito viável que aconteça no final do ano, ainda acho”, disse Hill ao se referir ao relatório e ao desmantelamento.
Hill se remeteu a problemas técnicos e a uma reunião amanhã dos seis negociadores com o ministro do Exterior chinês, Yang Jiechi, para justificar a eliminação do calendário na atual agenda.
“O consenso foi primeiro organizar grupos de trabalho, até o final de agosto, para ter uma idéia mais clara sobre como executar a seqüência na compensação energética, na declaração e no desmantelamento, e só então marcar um calendário”.
No entanto, o negociador japonês, Kenichiro Sasae, reconheceu que houve diferenças de opinião. “A Coréia do Norte expôs seus pontos de vista sobre como proceder de forma mais franca. De nossa perspectiva, nem todos eles são possíveis”.
Chun Yung-woo, negociador sul-coreano, que ontem explicara a predisposição de Pyongyang para o desarmamento este ano, ponderou hoje que na realidade ninguém esperava um calendário nesta reunião.
Mas o negociador russo, Vladimir Rakhmanin, reiterou a predisposição da Coréia do Norte em declarar e abandonar todo o programa. A decisão já estava prevista no acordo de fevereiro como parte da segunda fase, que a reunião em Pequim tenta detalhar.
A obsessão pelo calendário é apenas dos EUA, por coincidir com o final do mandato do presidente George W. Bush. “Gosto das datas-limite porque são um desafio, mas entendo a opinião de que é preciso esclarecer primeiro do que estamos falando e depois criar um calendário”, explicou Hill.
Assim, o diálogo, que amanhã entra em um terceiro dia por prorrogação, abordou hoje o conteúdo do inventário. Segundo os EUA, o relatório deve incluir os explosivos já fabricados e o suposto programa de enriquecimento de urânio, denunciado por Washington em 2002 e pivô da crise.
A reunião em Pequim deve terminar nesta sexta-feira com a declaração da China, país anfitrião. O texto incluirá a necessidade de reunir em agosto os cinco grupos de trabalho temáticos: desnuclearização, compensação econômica, mecanismo de paz na Península Coreana e estabelecimento de laços diplomáticos de Washington e Tóquio com Pyongyang.
Os grupos redigirão um “menu” para que os embaixadores possam, na próxima reunião formal, em agosto ou setembro, fixar o calendário.
Um dos obstáculos é que a compensação de 950.000 toneladas de petróleo pesado em troca do desmantelamento total só é aplicável em 20 meses, já que Pyongyang só pode processar 50.000 toneladas a cada mês. Por isso, os grupos estudarão equivalentes como fornecimento elétrico ou renovação e ampliação de processadoras.
No documento de amanhã será prevista ainda uma reunião dos ministros do Exterior dos seis países, a partir de setembro. A reunião bilateral mais destacada até agora foi a entre Sasae e Kim, incomum, depois que a agência de notícias norte-coreana “KCNA” ameaçou parar o diálogo se Tóquio voltasse a exigir saber o que aconteceu com seus cidadãos abduzidos nos anos 70: “A crise continuará indefinidamente se ressuscitarem os mortos”.
Para o último dia de encontro dos chefes de delegação, haverá de manhã uma reunião geral e a transmissão da declaração da China.