O Reino Unido deu um passo importante nos planos de transferir responsabilidades para iraquianos com a retirada de tropas do centro da cidade de Basra, viagra concluída nesta segunda-feira, web vista como sinal de fracasso por analistas no país natal e no Iraque.
“Foi uma operação planejada com antecipação e organizada”, no rx declarou hoje o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.
Em entrevista ao programa Today, da Radio 4 da BBC, Brown disse que este movimento fará com que as tropas britânicas assumam “um papel de supervisão”, mas os soldados do Reino Unido poderiam “voltar a intervir em determinadas circunstâncias”.
Mas o efetivo britânico no Iraque continuará “aproximadamente o mesmo deste momento”, e o Reino Unido permanecerá “para cumprir obrigações” com o povo iraquiano e a comunidade internacional, disse Brown.
Apesar disso, analistas acreditam que, com a retirada das tropas, o Reino Unido já preparem a saída do Iraque.
Após a retirada dos aproximadamente 550 soldados britânicos que permaneciam no quartel-general, situado em um antigo palácio do ditador Saddam Hussein, o controle foi entregue ao exército iraquiano.
Os militares britânicos, que pertencem ao 4º batalhão The Rifles e estavam praticamente sob estado de sítio, sofrendo ataques diários, se uniram hoje a outros 5 mil soldados compatriotas na base aérea de Basra, 20 quilômetros a oeste.
De lá, eles ficarão encarregados da segurança da província até entregá-la às autoridades iraquianas. O governo espera que isto ocorra até o final do ano, como disse no domingo o Ministério da Defesa britânico, ao confirmar a saída dos soldados de Basra, onde os britânicos mantinham o quartel-general desde a invasão, em 2003.
O Ministério explicou que a operação foi realizada após uma consulta ao governo iraquiano e fazia parte “de um processo respaldado pela coalizão”. Isso dá a entender que a medida conta com a aprovação dos Estados Unidos, perante a tensão registrada entre os comandantes militares dos dois países aliados devido à estratégia usada no país.
Um porta-voz militar britânico em Basra, comandante Mike Shearer, afirmou hoje que não foram registrados “incidentes relevantes durante a operação” de retirada de Basra.
Em 2006, as bases britânicas em Muthanna e Maysan foram saqueadas horas depois de serem transferidas às autoridades iraquianas.
Apesar de o Reino Unido ter insistido em qualificar a ação de retirada planejada, Paul Reynolds questionou o termo hoje na BBC. Já o analista Patrick Cockburn, do jornal The Independent, considerou que o fracasso do país em Basra foi “absoluto”.
Ele destaca, por exemplo, que a retirada foi realizada à noite, durante o toque de recolher, e não à luz do dia, como teria sido no caso de uma saída triunfal.
O Reino Unido já perdeu 168 soldados no Iraque desde que começou a invasão liderada pelos EUA, sem conquistar – como prometia – paz, estabilidade e prosperidade em Basra.
Em declarações ao jornal The Times, moradores da cidade iraquiana temiam que a situação de insegurança se agravasse ainda mais com a saída das tropas britânicas, qualificada de “vitória” pelas milícias.
“Atualmente, há uma frágil trégua entre milícias rivais, mas esta poderia romper-se a qualquer momento e não se pode descartar o retorno da violência”, disse Habib al-Haider, colunista de um jornal de Basra.
Para outro analista político da cidade, Shahid Arfan, “as facções tentam garantir o controle sobre as jazidas de petróleo e sobre o contrabando de petróleo”.
“Dada a fraqueza do governo central do primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, e a incapacidade das forças iraquianas em dominar totalmente a situação, a retirada britânica poderia levar a uma explosão da violência entre milícias”, acrescentou Arfan.
Na semana passada, o clérigo xiita Moqtada al-Sadr anunciou a suspensão, durante seis meses, das ações da milícia Exército Mehdi, responsável pelos ataques contra soldados britânicos.
Basra é a última das províncias iraquianas sob controle britânico no sul do país que deve ser entregue às autoridades do Iraque. O Reino Unido, que chegou a ter 18 mil soldados no Iraque no auge da ocupação, tem agora 5.500.