O jornal The New York Times e o governo de Donald Trump se enfrentaram nesta segunda-feira (30) em um tribunal federal por causa das restrições impostas pelo Pentágono aos jornalistas que cobrem o Departamento de Defesa.
Em resposta a uma ação movida pelo jornal, o juiz Paul Friedman decidiu neste mês que as novas políticas do Pentágono sobre o acesso da imprensa eram inconstitucionais e que as credenciais dos repórteres do jornal nova-iorquino deveriam ser devolvidas.
O governo dos Estados Unidos afirmou que vai recorrer da decisão, e o Departamento de Defesa respondeu com regras ainda mais rígidas, fechando uma área de imprensa no Pentágono chamada Corredor dos Correspondentes e transferindo os jornalistas para um anexo em um prédio separado.
Além disso, de acordo com a nova política, “todo acesso de jornalistas ao Pentágono exigirá escolta por parte de pessoal autorizado do Departamento”.
Theodore Boutrous, advogado do New York Times, acusou o governo, durante uma audiência perante Friedman em um tribunal em Washington nesta segunda-feira, de “manipulação psicológica” e de agir “de má-fé”.
“Já vimos esse filme”, disse Boutrous. “Eles tornaram inúteis as credenciais de imprensa pelas quais lutamos tanto para recuperar.”
Julian Barnes, repórter do New York Times, afirmou em uma declaração juramentada que os jornalistas não podiam chegar a pé à nova sala de imprensa e também não tinham autorização para utilizar um ônibus de traslado do Pentágono.
Barnes explicou que, por fim, os jornalistas credenciados foram informados de que teriam permissão para viajar no ônibus.
O juiz, após ouvir os argumentos do New York Times e de Sarah Welch, advogada que representa o Departamento de Justiça, não emitiu uma decisão imediata.
A imprensa americana e uma série de outros veículos, entre eles a AFP, se recusaram a assinar a nova política de acesso em meados de outubro, o que resultou na perda de suas credenciais no Pentágono.
As restrições eram as mais recentes de uma série de medidas do presidente Trump e de altos funcionários contra jornalistas e veículos de comunicação, cujas reportagens são frequentemente tachadas de “notícias falsas” quando desagradam ao governo.
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