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Respostas a conselho de Trump para Gaza expõem racha com europeus

Iniciativa proposta pelos EUA divide aliados europeus, enfrenta resistência diplomática e é vista como tentativa de esvaziar o papel da ONU

Redação Jornal de Brasília

21/01/2026 13h25

Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP

Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP

GUILHERME BOTACINI
FOLHAPRESS

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, aceitou o convite para se juntar ao Conselho da Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconstrução da Faixa de Gaza, informou nesta quarta-feira (21) o gabinete do líder israelense.

O convite foi feito a 60 países, incluindo o Brasil, e a cautela para responder tem sido a regra. Aos poucos, no entanto, a resposta de líderes invitados começa a refletir o racha criado por Trump na relação com aliados europeus após a renovada ameaça do americano de anexar a Groenlândia, um território da Dinamarca, que é parte da Otan.

Até a manhã desta quarta-feira, Noruega, Suécia e França já haviam rejeitado participar do colegiado. A Itália, segundo a imprensa local, também não deve participar. Alemanha e Espanha afirmam estar avaliando.

Entre os que já aceitaram estão países do Oriente Médio dos quais Trump tem se aproximado e são mais próximos do conflito em gaza, como Egito, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Além deles, aceitaram também ex-repúblicas soviéticas como Uzbequistão, Cazaquistão e Belarus, do ditador Aleksandr Lukachenko, aliado próximo da Rússia.

O presidente russo, Vladimir Putin, também foi convidado para o conselho, mas ainda não respondeu, assim como a Ucrânia de Volodimir Zelenski, que não se vê sentado à mesa com Moscou para tratar de Gaza enquanto a guerra em seu território continua.

O colegiado proposto por Trump é avaliado por diplomatas como uma tentativa do presidente americano de driblar e escantear a ONU. “A ONU não tem ajudado muito. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela não tem cumprido esse potencial”, afirmou Trump nesta terça (20).

“Eu acredito que você tem que deixar a ONU continuar porque o potencial é muito grande”, completou o republicano, após dizer que o Conselho da Paz de Gaza poderia terminar por substituir a Organização das Nações Unidas.

Convidada para o colegiado criado por Trump, a China não se pronunciou sobre o convite recebido, mas afirmou defender o sistema internacional centrado na ONU e a Carta das Nações Unidas.

O governo Lula (PT) consulta países e avalia uma resposta coordenada ao convite. O receio do governo é que recusas individuais possam expor países a retaliações -o que já ocorreu com a França, cuja recusa foi respondida por Trump com a ameaça de tarifas de 200% a vinhos e champanhes franceses.

Para se juntar de forma permanente ao grupo, que o governo Trump afirma promover a “estabilidade mundial”, seus membros que desejam um espaço permanente no colegiado deverão pagar até US$ 1 bilhão. O grupo será presidido pelo próprio Trump, que também “exercerá separadamente” a função de representante dos Estados Unidos.

Ao anunciar a criação do conselho na semana passada, que estava previsto no plano de paz responsável pelo cessar-fogo atual em Gaza, Trump também revelou seus planos de estabelecer um conselho executivo para Gaza, que operaria sob o organismo. O conselho executivo incluiria o ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, e o diplomata catari Ali Al Thawadi, entre outros nomes.

Netanyahu se opôs firmemente a inclusão do turco e do qatari.

As relações entre Turquia e Israel se deterioraram desde que eclodiu a guerra em Gaza em outubro de 2023, após o ataque do grupo terrorista Hamas. O Qatar, um dos principais mediadores das negociações de paz, foi alvo de ataque israelense que mirou a liderança da facção palestina que vive em Doha.

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