A Frente de Resistência de Honduras não reconhecerá Porfirio Lobo como presidente do país e “tornará as coisas difíceis”, afirmou hoje uma porta-voz da organização que participa do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.
“O golpe de Estado (que derrubou Manuel Zelaya) não terminou e Lobo somente representa a continuidade desse atentado à democracia”, disse Lorena Zelaya, representante da Frente na reunião do movimento contra a globalização.
Zelaya, que não tem parentesco com o presidente deposto, disse aos jornalistas que sua organização “não aceitará esse Governo que surgiu a partir do golpe das eleições” presidenciais de passado 29 de novembro.
“A única saída é a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, com a participação dos movimentos sociais”, assinalou.
A ativista insistiu que os grupos sociais e políticos representados na Frente “não reconheçam o processo eleitoral, por isso que não podem reconhecer seus resultados”, e assegurou que a “mobilização popular” não acaba com a posse de Lobo, na próxima quarta-feira.
Pelo contrário, anunciou que nesse mesmo dia “milhares e milhares de hondurenhos” tomarão as ruas de Tegucigalpa e San Pedro Sula, a segunda maior cidade do país, para “protestar pelas eleições que só serviram para tirar um golpista oficial e colocar um golpista eleito”.
Segundo Zelaya, “a Lobo custará muitíssimo governar”, porque além da pressão que enfrentará dos movimentos sociais, também receberá um país “economicamente quebrado”, ao que atribuiu a gestão do presidente de fato, Roberto Micheletti.
“Deixou o país em ruínas”, sustentou sobre o governante que assumiu o lugar de Manuel Zelaya quando este foi destituído e expulso do país pelos militares, em 28 de junho.