O senador republicano George LeMieux, disse hoje que permitirá o voto para a confirmação de Thomas Shannon como próximo embaixador dos Estados Unidos no Brasil depois de ter recebido garantias de que Washington promoverá a democracia em países como Honduras e Cuba.
Ex-secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental, Shannon foi escolhido pelo presidente americano, Barack Obama, para ser embaixador dos EUA no Brasil, mas LeMieux impediu sua nomeação como forma de protesto à postura de Washington em relação ao golpe de Estado em Honduras.
De acordo com o processo legislativo americano, a confirmação de Shannon no novo cargo fica agora inteiramente nas mãos da maioria democrata do Senado, em particular do líder do partido, Harry Reid.
Consultado pela Agência Efe, o escritório de Reid disse que o senador ainda não decidiu se pedirá “consenso unânime” no plenário do Senado para caminhar com o voto definitivo sobre Shannon, nem quando o fará.
O Senado está imerso em debates sobre a reforma de saúde e a designação de despesas para defesa.
Os democratas se queixam que os republicanos recorreram a táticas dilatórias para minar a votação sobre a reforma no setor de saúde.
“Os republicanos estão tentando dilatar até onde consigam todo trabalho legislativo que estamos fazendo neste momento”, se queixou o porta-voz de Reid, José Parra.
Assim, o mais provável é que o voto sobre Shannon tenha que esperar até o início do novo período de sessões do Senado, em meados de janeiro de 2010.
LeMieux explicou em comunicado que conversou sobre a nomeação de Shannon com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a quem expressou sua preocupação sobre retrocessos da democracia e o aumento de regimes autoritários na América Latina.
“Recebi compromissos suficientes da secretária de que a política da Administração na América Latina, particularmente em Honduras e Cuba, será a de promover os ideais e metas da democracia”, afirmou o republicano.
O senador citou como exemplo do compromisso de Washington que, no caso de Honduras, os EUA “continuarão normalizando as relações com o Governo desse país e o presidente eleito” hondurenho, Porfirio Lobo.
No caso de Cuba, segundo LeMieux, os EUA retomarão o processo para que organizações sem fins lucrativos solicitem ajuda para a promoção da democracia e permitirá a inclusão de líderes do movimento democrático em atividades da escritório americano de interesses em Havana.
Como prova dessas garantias, o gabinete de LeMieux divulgou uma carta do novo secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, que teve o aval de Hillary.
De acordo com as regras do Legislativo dos EUA o bloqueio a uma nomeação é um direito ao qual podem recorrer os congressistas da oposição.
LeMieux considerou que a política externa dos EUA para a América Latina se encontra em uma “conjuntura crítica” e que as ações do país mandaram um recado sobre o compromisso de Washington “com a democracia, os direitos humanos e o império da lei”.
Para o senador, é “fundamental” que os EUA deem claros sinais de seu compromisso nesse sentido porque líderes que buscam desestabilizar a região, cujos nomes não citou, “estão prestando muita atenção” às ações do Governo de Washington.