Menu
Mundo

Repressão a protestos no Irã é a mais letal desde a Revolução Iraniana de 1979, segundo estimativas

Veja abaixo o número de mortos nos principais protestos dos país nos últimos anos, além da revolução.

Redação Jornal de Brasília

13/01/2026 20h21

iran protestos

Foto: AFP

VICTOR LACOMBE E GUILHERME BOTACINI
SÃO PAULO, SP E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O número de mortos nas manifestações contra o regime do Irã chegou a 2.000, segundo a ONG de direitos humanos Hrana, com sede nos Estados Unidos. A checagem independente do total de mortes não é possível, mas se a estimativa estiver correta, os protestos deste ano já são os mais mortais desde a Revolução Iraniana de 1979, que derrubou a monarquia e culminou no estabelecimento da República Islâmica.


Antes das manifestações atuais, os protestos mais violentos haviam acontecido entre 2022 e 2023 após a morte de Mahsa Amini, mulher de 22 anos morta sob custódia do regime após ser detida em Teerã por supostamente deixar parte do cabelo à mostra sob o véu islâmico. Segundo a Hrana, 965 civis morreram ao longo dos dois anos.


Veja abaixo o número de mortos nos principais protestos dos país nos últimos anos, além da revolução.


REVOLUÇÃO IRANIANA (1979-1985): 13 MIL MORTOS


A falta de transparência do regime do xá Reza Pahlavi e daquele que o substituiu, a República Islâmica do aiatolá Ruhollah Khomeini, significa que não há um número confirmado de vítimas para o período anterior e imediatamente após a revolução.


Teerã reconhece hoje 60 mil “mártires” ao longo do processo revolucionário, mas o número é contestado por historiadores. A Revolução Iraniana em si começou após um ataque terrorista matar 400 pessoas em um cinema em Teerã em setembro de 1978 e terminou com o colapso da monarquia em fevereiro de 1979. Especialistas estimam cerca de 3 mil mortes em protestos contra o xá nesse período.


Depois da chegada de Khomeini ao poder, a República Islâmica se voltou contra monarquistas e dissidentes de esquerda. Estima-se que 10 mil pessoas foram executadas em tribunais revolucionários até a consolidação do novo regime, em 1985.


2009: 70 MORTOS


Chamada de Primavera Persa na época, os protestos começaram após acusações de fraude nas eleições presidenciais de 2009, quando Mahmoud Ahmadinejad conquistou a reeleição. Manifestantes a favor dos candidatos de oposição Mir-Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi tomaram as ruas de várias cidades do país em protestos pacíficos que tiveram resposta violenta das forças de segurança.


Atos mais significativos desde a revolução, a repressão em 2009 matou 70 pessoas, de acordo com a Anistia Internacional. Mais de 4 mil manifestantes foram presos. Mousavi, um ex-primeiro-ministro reformista, e Karroubi, um ex-presidente do Parlamento e sacerdote xiita moderado, receberam sentenças de prisão domiciliar, onde estão até hoje.


2017: 41 MORTOS


Motivados pela alta no custo de vida e a estagnação da economia iraniana, na época já sob sanções dos EUA, os manifestantes foram às ruas pedindo a queda do aiatolá Ali Khamenei e a abertura democrática do país.


Em contraste aos atos de 2009, os protestos de 2017 não tiveram líderes claros, e a repressão foi maior: 41 civis foram mortos por forças de segurança do regime, segundo estimativa da ONG Iran Human Rights Documentation Center, com sede na Noruega. Quase 5.000 pessoas foram presas, e ativistas denunciaram casos de tortura e abuso sexual em prisões.


2019: 321 MORTOS


Conhecido como Novembro Sangrento, os protestos, os mais graves no país até então, começaram após uma rápida escalada no preço de combustíveis e evoluíram para atos por todo o país pedindo o fim da República Islâmica.


O regime reagiu cortando a internet no país por seis dias e, segundo a Anistia Internacional, atirando contra manifestantes com snipers e metralhadoras, matando 321 pessoas -Teerã falou em 225 mortes.
Estimativas da agência de notícias Reuters afirmam que o número de mortos foi muito maior, podendo ter atingido 1.500. Mais de 7.000 pessoas foram presas. Segundo o regime, os manifestantes atearam fogo a mais de 140 prédios públicos e centenas de bancos.


2022-23: 965 MORTOS


Liderados por mulheres iranianas, os protestos de 2022 e 2023 tiveram como estopim o caso da jovem de 22 anos Mahsa Amini, morta sob custódia da polícia moral do regime após ser detida em Teerã por supostamente deixar parte do cabelo à mostra sob o véu islâmico.


Foram os atos mais numerosos desde a revolução, se espalhando por pelo menos 25 das 31 províncias do Irã. Como resposta, o regime matou pelo menos 965 manifestantes durante os protestos, segundo a ONG de direitos humanos Hrana, que contabilizou ainda 68 menores de idade entre os mortos. Quase 20 mil pessoas foram presas.


Os atos ficaram conhecidos como protestos Mulher, Vida, Liberdade e pediam o fim das restrições às mulheres iranianas. Mais tarde, as exigências incluíram a derrubada completa do regime teocrático, que chamou as manifestações de “guerra híbrida” estimulada pelos EUA e por Israel.


2026: 2 MIL MORTOS


Assim como em 2017 e 2019, os protestos começaram por razões econômicas, com comerciantes fechando lojas em Teerã para protestar contra a inflação. Com a violenta resposta do regime, os manifestantes passaram a protestar contra a teocracia em si -Teerã afirma que dezenas de mesquitas foram incendiadas.


Segundo a Hrana, mais de 2.000 pessoas foram mortas pelas forças de segurança desde o início dos protestos. A ONG afirma que o número real pode ser muito maior.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado