As comissões do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e do interino, Roberto Micheletti, continuarão hoje, sexta-feira, o diálogo para superar a crise política do país, no que seguem avançando, informou no fim da noite de quinta-feira uma fonte da OEA.
“Estão avançando muito, amanhã (sexta-feira) vão a seguir, ambos estão trabalhando; estão trabalhando, estão consultando, tudo em função de poder chegar a algum acordo na sexta-feira”, disse a jornalistas John Biehl, assessor do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) para Honduras.
Biehl falou com a imprensa uma hora depois que as comissões de diálogo de Zelaya e Micheletti fizeram um recesso para consultas sobre os assuntos de quinta-feira nas negociações, temas estes não divulgados à imprensa.
O diplomata insistiu que não sabe se há um prazo para a restituição de Zelaya no poder, embora há duas semanas o presidente deposto indicou que esse prazo vencia hoje.
Lembrou que quando começou a crise, em junho, “a OEA deu 72 horas” para restituir a Zelaya e que desde então transcorreram mais de três meses.
“Os processos têm seu ritmo, cada país tem que amadurecer encontrar o seu”, enfatizou Biehl.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) acompanha com uma missão em Tegucigalpa as comissões de diálogo de Zelaya e Micheletti, que retomaram as conversas no último dia sete.
“Os hondurenhos têm pressa e estão acompanhando”, disse Biehl, que também afirmou, sem dar detalhes, que no processo “houve um momento muito passional que era muito difícil”.
“Mas já está superado – continuou -, o superaram eles mesmos, estão falando racionalmente”.
Quando foi perguntado se vê próxima uma saída à crise, respondeu: “Não tenho uma bola de cristal”.
“O problema eles estão tentando solucionar de boa fé e nós temos plenas esperanças de que vão conseguir”, disse o representante do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza.
Zelaya foi deposto dia 28 de junho e está refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde 21 de setembro, quando voltou inesperadamente ao país, de onde exige sua restituição no poder.