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Mundo

Representante de Zelaya deixa diálogo por discordar de presidente deposto

Arquivo Geral

13/10/2009 0h00

O sindicalista Juan Barahona foi substituído hoje na comissão que representa o presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, no diálogo sobre a crise política no país por discordar da decisão do chefe de Estado derrubado de renunciar a uma Assembleia Constituinte.

“Não estamos de acordo, mas vamos respeitar a posição dele (Zelaya), a renúncia à Constituinte”, declarou Barahona a jornalistas após deixar a mesa de diálogo por decisão, segundo ele, do próprio Zelaya.

Barahona foi substituído pelo advogado Rodil Rivera.

A mesa de diálogo em que trabalham as comissões de Zelaya e do presidente do Governo golpista, Roberto Micheletti, desde a quarta-feira passada para a obtenção de um acordo que tire Honduras da atual crise política retomou hoje os trabalhos em um hotel de Tegucigalpa após uma pausa durante o final de semana.

Barahona esclareceu que sua saída não significa uma ruptura da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, da qual é dirigente junto com Zelaya, mas insistiu em que o movimento quer uma Constituinte.

“Não renunciamos à Constituinte”, mas “não se rompe a relação entre a frente de resistência e o presidente Zelaya”, explicou o sindicalista.

“Não vamos desistir da luta para que o presidente Zelaya seja restituído”, afirmou.

Segundo Barahona, houve na semana passada consenso sobre os pontos de que não haverá anistia política para os envolvidos na crise e de que Zelaya desistirá de promover uma Assembleia Constituinte caso volte no poder.

Também houve acordo sobre a necessidade de um Governo de união nacional, segundo a ex-presidente da Corte Suprema de Justiça Vilma Morales, integrante da comissão de Micheletti.

O movimento de resistência apoia a ausência de anistia porque “quem cometeu crimes deve se submeter à lei”, afirmou Barahona, dirigente da Confederação Unitária de Trabalhadores de Honduras (CUTH).

O sindicalista reconheceu que estava em “uma posição um pouco incômoda na mesa” de diálogo porque, por decisão própria, se negou a assinar as atas das reuniões “e não podia continuar sem assinar”, pois o mecanismo do diálogo estabelece que todos os participantes devem fazê-lo.

“Para evitar isso, é melhor uma substituição a tempo”, disse.

O diálogo iniciado na quarta-feira se baseia no Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, e que inclui a restituição de Zelaya, sua renúncia à Constituinte, a anistia política, um Governo de união nacional e verificação internacional, entre outros pontos.

Em 28 de junho, dia em que Zelaya foi derrubado, haveria uma consulta popular sobre a realização de uma Assembleia Constituinte em Honduras.

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