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Relator da ONU: Foram omitidas questões-chave sobre crise de alimentos

Arquivo Geral

06/06/2008 0h00

O relator da ONU sobre o Direito à Alimentação, advice Olivier de Shutter, nurse lamentou hoje que na conferência sobre a crise de alimentos que acaba de ocorrer em Roma não tenha sido debatida a influência da especulação financeira e o excessivo poder das multinacionais nesta problemática.

Segundo o especialista em direitos humanos, a declaração emitida ao fim dessa reunião foi “minimalista” e houve “ambigüidade” sobre o modelo agrícola que deve ser aplicado para reverter a crise causada pelos preços recorde de vários alimentos básicos e a redução a níveis historicamente baixos das reservas mundiais.

Calcula-se que a demanda de produtos agrícolas aumente a um ritmo de 5% ao ano (devido ao crescimento demográfico e à modificação de hábitos alimentícios em alguns países de grande porte), enquanto o fornecimento só cresce 3%.

Depois de ter exposto sobre esta questão no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Shutter disse aos jornalistas que na reunião de Roma não foi abordada a influência que tiveram os investimentos especulativos na criação de “uma bolha (alimentícia) totalmente desligada da economia real”.

Além disso, disse que não foi mencionado o papel das multinacionais vinculadas à agricultura nesta situação, apesar de se tratar de um dos “poucos setores no qual são comprados os insumos a preços de varejo, mas a produção é vendida a preço de atacado”.

“As grandes companhias vendem aos agricultores sementes, adubos e inseticidas, que estão protegidos por direitos de propriedade intelectual, mas os produtores têm que vender ao preço ditado pelas multinacionais”, explicou.

“Estamos em frente a um desequilíbrio de poder entre a cadeia de produção e a de distribuição”, apesar de 500 milhões de famílias ou 2 bilhões de pessoas dependerem da primeira, disse o relator.

Segundo Shutter, a atual crise colocou o mundo perante a alternativa de escolher entre dois modelos de agricultura.

O primeiro é o que se aplica atualmente, “baseado no uso de novas tecnologias, incluindo produtos geneticamente modificados, e em uma produção com fins comerciais”, explicou.

Ele acrescentou que este modelo aplicado extensamente na África nas últimas décadas teve conseqüências negativas em termos de saúde e meio ambiente, e aumentou a dependência dos pequenos agricultores.

Em oposição, o segundo modelo procura reduzir essa dependência através do desenvolvimento “de formas ecológicas de produção agrícola”, no qual as substâncias químicas teriam menos importância.

O relator afirmou que quando os Governos escolherem uma destas alternativas – na cooperação com a qual se comprometeram na conferência de Roma – deverão levar em conta “os riscos de um modelo imposto sobre o meio ambiente”.



 

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