Agentes de imigração detiveram hoje, no aeroporto de Harare, o relator especial das Nações Unidas sobre a Tortura, Manfred Nowak, quando ele chegou ao Zimbábue com a intenção de iniciar uma visita de oito dias ao país, informaram à Agência Efe testemunhas do fato.
“Vários indivíduos se aproximaram a ele, tiraram seu passaporte e o retiveram”, disse à Agência Efe Kumbirai Mafunda, porta-voz da organização Advogados Zimbabuanos pelos Direitos Humanos (ZLHR, na sigla em inglês), que afirmou que “o conduziram a uma sala anexa ao local de chegadas”.
Nowak tinha sido convidado pelo Governo do Zimbábue para visitar o país de hoje até 4 de novembro, mas, no último minuto, quando já se encontrava em Johanesburgo em trânsito para Harare, foi solicitado para que não viajasse ao país, segundo informou a ONU hoje, em comunicado divulgado em Genebra.
As autoridades zimbabuanas argumentaram que não podiam receber o relator nas datas propostas devido ao processo de consultas entre o Governo, que sofre uma grave crise, e a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral.
Por esse motivo, o Ministério de Assuntos Exteriores do Zimbábue, controlado pela União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), partido do presidente, Robert Mugabe, cancelou o convite a Novak.
Nowak disse que entendia que esse fato podia ter modificado sua agenda de reuniões com membros do Governo, mas que não era razão suficiente para suspender sua visita.
Além disso, lembrou que “ativistas políticos e defensores de direitos humanos foram detidos e intimidados nos últimos dias”, o que “mostra a urgência de uma missão de investigação objetiva por um analista independente da ONU”.