O suposto relaxamento na tensa relação entre Colômbia e Venezuela com a entrega das duas reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ao presidente venezuelano, recipe Hugo Chávez, prescription foi apenas aparente, cedendo espaço, pouco depois, às acusações feitas por cada lado.
O pedido do chefe de Estado venezuelano para que a guerrilha fosse reconhecida como uma força insurgente legítima, e não como um grupo terrorista, voltou a tornar tensas as relações bilaterais, que se deterioraram desde o fim do ano passado.
O dirigente venezuelano fez a declaração um dia após a libertação da ex-candidata à Vice-Presidência da Colômbia, Clara Rojas, e da ex-congressista Consuelo González.
O ex-ministro de Relações Exteriores colombiano e membro da Comissão Nacional de Conciliação (CNC), Augusto Ramírez, disse hoje que é inaceitável que a Colômbia caia na chantagem da fórmula proposta por Chávez.
O presidente venezuelano pede que os membros das Farc não sejam reconhecidos como terrorista, visando a melhorar a relação entre os dois países.
A proposta, segundo Ramírez, está fora das normas internacionais, e significa uma “intervenção indevida” do governante venezuelano na Colômbia.
O ex-funcionário lembrou que a União Européia (UE) declarou as Farc como grupo terrorista, assim como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e os grupos paramilitares de extrema-direita.
O bloco europeu tomou esta decisão “porque, evidentemente, são organizações armadas que cometeram atos violentos incalculáveis, não respeitam os Direitos Humanos Internacionais, usam armas indiscriminadamente e métodos condenados internacionalmente para dominar seus seqüestrados, entre outros motivos”, afirmou.
O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana (1998-2002) – em cujo Governo as Farc foram incluídas na lista de organizações terroristas pela comunidade internacional – afirmou que é impossível aceitar a exigência de Chávez.
Já o Defensor Público Vólmar Pérez disse que o terrorismo deve ser descrito por suas ações e por mais que governantes façam considerações políticas, “não se pode passar por cima da ordem jurídica que define essas condutas”.
“As Farc podem até ter propósitos políticos, mas é evidente que praticam ações tipicamente terroristas”, especificou Pérez.
Ele lembrou que há uma resolução da Assembléia Geral da ONU que caracteriza como terrorismo qualquer ato criminoso, mesmo que tenha fins políticos.