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Mundo

Reino Unido prepara redução de tropas no Iraque

Arquivo Geral

15/07/2007 0h00

O Governo britânico prepara uma redução das tropas posicionadas no Iraque, pills pressionado pelos números de baixas e pelo relatório de uma comissão multilateral que alerta que só restam opções “dolorosas” às forças da coalizão.

“Cometemos o maior pecado das intervenções: ter objetivos ambiciosos demais, no rx recriar Washington em Bagdá e recriar uma democracia de estilo ocidental em um país do Oriente Médio”, disse hoje um dos presidentes do grupo, o lorde liberal-democrata Paddy Ashdown.

A comissão, com incumbência semelhante ao do Grupo de Estudo sobre o Iraque iniciado nos EUA, não fixa uma data de retirada, mas defende a saída do país árabe tão em breve como tenha concluído o treino das forças locais, independentemente da situação de segurança.

Caso contrário, as milícias e os insurgentes podem determinar a retirada, disse hoje Ashdown, antigo Alto Representante para Bósnia. “Somos, de certa forma, um alvo para a violência e, portanto, precisamos transferir o processo aos iraquianos”, disse ao programa Sunday da BBC.

O jornal The Observer revelou hoje que o Governo britânico já trabalha para uma retirada de tropas e deve dar detalhes da estratégia na próxima semana. As previsões mais otimistas é de que no final de ano fiquem no Iraque apenas 1.500 dos pouco mais de 7 mil soldados do Reino Unido destacados no país, segundo o jornal, que cita fontes da Defesa.

Por enquanto, o Exército britânico se prepara para retirar no próximo mês seus soldados de sua base no aeroporto de Basra, no sul do país, e entregar a gestão da última província que controlavam aos militares iraquianos.

O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, não quis hoje entrar no que chamou de “especulações” sobre quanto tempo as tropas britânicas permanecerão no Iraque, mas reconheceu que era “uma situação muito difícil e muito perigosa”.

Com relação ao relatório da comissão, coordenada pela organização de debate político Foreign Policy Centre e o Channel 4 da televisão britânica, Miliband assegurou que o avaliaria “na forma solene requerida”.

O grupo, também presidido pela baronesa trabalhista Margaret Jay e o ex-ministro da Defesa conservador Tom King, recomenda que o Iraque se mantenha como uma nação federal unificada com a cooperação dos países vizinhos e que seja estabelecido um planejamento econômico para reconstruir o país.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, deveria tentar conseguir a designação de um enviado de alto nível da ONU para promover a reconciliação política no Iraque, segundo a comissão, que citou depoimentos de militares, altos funcionários, diplomatas, empresários, especialistas em leis e representantes de ONG.

O relatório, de 119 páginas e ao qual tiveram acesso os meios de comunicação britânicos, destaca que a estratégia atual “está estagnada” e não tem objetivos claros. Ashdown se mostrou hoje também crítico do ex-primeiro-ministro Tony Blair que, segundo sua opinião, “não foi capaz de usar” sua influência para interferir na política externa do presidente americano, George Bush.

O jornal The Independent on Sunday pressionava ainda mais o Executivo ao revelar que os soldados britânicos destacados no Iraque e no Afeganistão estão sofrendo neste ano baixas a um ritmo muito mais rápido do que em 2006, o que aumenta as necessidades de atendimento a longo prazo dos veteranos.

Este ano, 32 militares britânicos morreram no Iraque, contra os 29 que morreram durante todo o ano de 2006. Desde 2001, o número de soldados mortos já chega a 223, enquanto outros 573 estão feridos. Destes últimos, 238 correm risco de morte.

E outro dado revelador: o número de soldados internados em hospitais passou de 24 mil de 2002 para 45 mil em 2004.


 

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