O SFO abriu uma investigação em fevereiro para esclarecer se várias empresas multinacionais com sede no Reino Unido teriam incorrido em crime de suborno no programa Petróleo por Comida da ONU.
Entre as companhias investigadas estariam as farmacêuticas GlaxoSmithKline (GSK), Astrazeneca e Eli Lilly, além da Mabey & Johnson, do setor de engenharia e comércio de petróleo.
Todas elas figuram em uma lista de empresas multinacionais acusadas em um relatório da ONU de subornar o regime de Saddam Hussein durante a vigência do programa Petróleo por Comida, que permitiu ao ditador iraquiano reunir uma fortuna calculada em US$ 1,8 bilhão.
Um porta-voz da GSK disse hoje à BBC que não acredita que os funcionários da farmacêutica ou seus agentes no Iraque “incorreram conscientemente em atividades criminosas no programa Petróleo por Comida”.
“De fato, a GSK cooperou com as autoridades britânicas responsáveis pelo programa e para estabelecer e fazer cumprir medidas contra a corrupção na hora de negociar com intermediários no Iraque”, acrescentou.
Já a AstraZeneca confirmou que recebeu uma solicitação formal de seus documentos do SFO.
A investigação, a primeira sobre o escândalo, foi promovida pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) Paul Volcker, que redigiu um relatório sobre os abusos desse programa por encomenda da ONU.
Segundo Volcker, o programa, que autorizava o Iraque a vender apenas determinadas quantidades de petróleo para comprar comida e medicamentos para a população, acabou sendo corrompido quando o regime de Saddam Hussein começou a exigir dinheiro às companhias estrangeiras em troca de contratos.
A GlaxoSmithKline, uma das companhias citadas no relatório, é acusada de ter pago US$ 1 milhão em subornos para conseguir nove contratos para o fornecimento de remédios avaliados em US$ 11,9 milhões.
A empresa negou as acusações e alegou que o programa Petróleo por Comida era administrado no Reino Unido pelo Ministério do Comércio e Indústria e que a empresa cumpriu à risca suas diretrizes.
A AstraZeneca, acusada no relatório de ter pago US$ 162 mil para obter três contratos que somavam US$ 2,9 milhões, também negou qualquer irregularidade nos seus negócios no Iraque.