O racionamento afetará a região da capital, na qual vivem quase 6 milhões de pessoas, por “no máximo quatro horas” a cada dois dias e se prolongará até maio, informou o presidente da Electricidad de Caracas, Javier Alvarado.
A Grande Caracas é dividida em seis blocos, que incluem áreas distintas das cidades da região. Com isso, há confusão entre os cidadãos, que não conseguem confirmar qual horário de corte os afetará.
Pela manhã, no bairro de La Candelaria, no centro da capital, era possível ver grande parte dos estabelecimentos fechada por causa da falta de luz.
Em Chacao, uma das principais zonas comerciais da capital, muitas lojas estavam às escuras e com as portas fechadas ao meio-dia, horário em que começou o corte de energia na área.
Serviços básicos como hospitais, metrô, Polícia, aeroporto e bombeiros, entre outros, não foram incluídos no esquema de racionamento e operam normalmente.
No entanto, pacientes de uma clínica em Chacao protestaram hoje em plena rua por não poderem fazer hemodiálise devido à interrupção do fornecimento de energia ao centro médico.
Foi anunciado hoje que os jogos da fase final da Liga Venezuelana de Beisebol, esporte preferido dos venezuelanos, serão disputados mais cedo para poder atender ao plano de racionamento decretado pelo Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez.
A imediata entrada em vigor do racionamento logo após o anúncio de seu cronograma, o que aconteceu nesta terça-feira, deixou a população confusa e suscitou reclamações diante da falta de clareza no estabelecimento dos horários para as regiões da capital.
Chávez defendeu hoje o plano de racionamento elétrico como uma “necessidade” e o comparou com “fazer dieta”, já que está sendo aplicado para “o bem de todos”.
Na semana passada, o presidente venezuelano decretou a redução da jornada de trabalho dos funcionários públicos para cinco horas diárias com o objetivo de diminuir o consumo energético no setor público, segundo ele, em 20%.
As restrições de fornecimento, que já começaram na terça-feira no estado de Zulia, no oeste venezuelano, se estenderão progressivamente ao resto do país e continuarão nos estados andinos, onde já havia racionamento de energia desde setembro.
As autoridades venezuelanas explicaram que o déficit energético, calculado em “12%, quase 1.700 megawatts”, se deve à “excessiva dependência” da produção hidroelétrica, prejudicada pela seca provocada pelo fenômeno meteorológico “El Niño”.
No total, 70% da eletricidade da Venezuela, quinto maior produtor mundial de petróleo, tem como origem a represa de El Guri, na bacia do rio Caroní (sudeste), segundo as autoridades. Os 30% restantes são produzidos por usinas termoelétricas.
Na noite de segunda-feira, ao anunciar o novo plano de racionamento sem divulgar os horários, o ministro venezuelano para a Energia Elétrica, Ángel Rodríguez, disse que o objetivo seria evitar que o país entre em uma situação “crítica” no final de fevereiro.
Esta situação, na opinião da oposição, é consequência da falta de investimento em infraestrutura durante os mais de dez anos em que Chávez está no poder.
O opositor Henrique Capriles Radonski, governador do estado de Miranda, no qual se inclui parte da Grande Caracas, considerou que a medida de racionamento anunciada pelas autoridades era “irresponsável” e exigiu do Governo que fale “claramente” para não gerar “confusão” na população.
O plano para atenuar a crise energética coincide com a recente desvalorização da moeda nacional, o bolívar, e os cortes de água de dois dias por semana implantados em novembro na região da capital venezuelana.