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Mundo

Refugiados fogem para a Tunísia de repressão na Líbia

Arquivo Geral

24/02/2011 21h47

O fluxo de refugiados que entram na Tunísia fugindo da repressão desencadeada na Líbia pelo dirigente do país, Muammar Kadafi, contra os manifestantes que exigem sua queda, continuou nesta quinta-feira de maneira incessante.

 

A passagem fronteiriça de Ras Jedir, já em território tunisiano, é o local onde se concentram milhares de trabalhadores, originários em sua maioria da Tunísia e do Egito, que escapam da onda de violência desencadeada na Líbia nos últimos dias e que pode ter causado centenas de mortes, de acordo com diversas fontes.

 

Carregados com malas e com tudo que puderam tirar da Líbia, os refugiados relatam à imprensa como foram suas últimas horas em território líbio até alcançar a fronteira com a Tunísia.

 

Apesar de serem observadas divergências quanto ao relato sobre como foram tratados pelas forças de segurança líbias, quase todos os refugiados concordam que em muitas ocasiões tiveram o dinheiro que levavam roubado, além do telefone celular ou, pelo menos, o cartão de memória do aparelho.

 

O motivo para eles está claro. Como disse à Agência Efe Saad, um trabalhador egípcio recém-chegado a Ras Jedir: “Kadafi não quer que levemos fotos ou imagens de vídeo que tenha a ver com o que se passa na Líbia”.

 

Saad, que trabalhava como pedreiro na Líbia, relatou que justo antes de ultrapassar a fronteira, o ônibus no qual viajava com seus companheiros desde Trípoli foi detido pela Polícia, que se apoderou dos telefones celulares e, em seu caso, dos quatro mil dinares líbios que levava.

 

Tanto Saad como outros declararam à Efe que o argumento dado pelos agentes líbios para se apropriar do dinheiro era o de “despesas de alfândega”.

 

Embora seja difícil informar o número de pessoas que cruzaram a fronteira neta quinta-feira, fontes policiais tunisianas indicaram que poderia superar “os milhares”.

 

De fato, em Ras Jedir são aguardados vários ônibus que transferem os refugiados ao aeroporto de Cartago, na capital tunisiana, no caso dos estrangeiros, especialmente os egípcios (o grupo mais numeroso dos que cruzaram a fronteira), ou a suas cidades de origem, no caso dos tunisianos.

 

Embora muitos refugiados indiquem que não estão sofrendo maus tratos físicos por parte da Polícia líbia, outros, como Aoum, também egípcio, disse que foram insultados pelos agentes, que os chamavam de “sanguessugas da Líbia”.

 

A maioria dos refugiados perguntados pela Efe trabalhavam como operários na Líbia, mas outros se dedicavam à pesca, como Mohammed, quem vem da cidade de Zawara e manifestou que o caminho até a fronteira transcorreu sem incidentes, mas justo antes de atravessar para a Tunísia a Polícia líbia pediu dinheiro.

 

Abdelkader, um eletricista tunisiano procedente da cidade de Sirte, manifestou que “lá há muitos soldados e policiais, mas não se veem manifestantes”.

 

No entanto, fontes da ONG “Kachef Tunisie”, manifestaram à Efe que, além dos roubos, ocorreram vários casos de agressões, protagonizadas em algumas ocasiões por jovens vestidos de civis.

 

“As pessoas chegam cansadas, com fome e com muito medo; viram agressões, ou foram agredidos, e foram roubados, por isso estão muito abalados física e psicologicamente”, disse à Efe um porta-voz da citada organização que pediu anonimato.

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