Fernández explicou na presença de seu colega haitiano, René Préval, que esse valor seria usado em um programa de cinco anos que também ajudaria o Haiti a fortalecer suas instituições.
No entanto, alertou que a efetividade da ajuda dependerá de “uma convergência no plano internacional” e de “uma coordenação interna para seu manejo”.
O financiamento desses recursos será organizado por um comitê de coordenação da ajuda para a reconstrução do Haiti, cuja sede será a República Dominicana. O Brasil participaria desse comitê, assim como Estados Unidos, Canadá, México, os países da União Europeia, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a ONU, entre outras entidades.
Uma das propostas debatidas na reunião foi o perdão da dívida externa do Haiti, assim como a criação de um fundo especial resultante do pagamento da dívida dos países da América Latina e do Caribe ao Clube de Paris, o que representa US$ 2 bilhões anuais.
O comitê também deverá definir uma estratégia de sustentabilidade e segurança alimentar, já que o Haiti importa quase todos os alimentos que consome, e por isso se deve aumentar a produção agropecuária, desenvolver a infraestrutura, o turismo, a educação e a saúde.
“Eu acho que o Haiti é um país que, com o apoio da comunidade internacional, pode perfeitamente se reconstruir, se reabilitar e se modernizar. Não pode fazê-lo sozinho, precisa do envolvimento de todos nós”, ressaltou Fernández.
A reunião de hoje em Santo Domingo servirá para preparar a Cúpula Mundial pelo Haiti, uma iniciativa da comunidade internacional para debater a reconstrução do país.
Também compareceram ao encontro representantes de Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha e de vários países da América Latina e do Caribe.
O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital haitiana. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.
O Exército brasileiro informou que pelo menos 16 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.
A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.