O maior grupo muçulmano separatista das Filipinas, a Frente Moro para a Libertação Islâmica (FMLI), rejeitou nesta terça-feira qualquer negociação de paz se o Governo não mudar sua oferta de autonomia para as regiões de influência muçulmana.
Em comunicado em seu site, Jun Mantawil, secretário do painel negociador da FMLI, afirmou que “por enquanto não há nada sobre o que falar, porque os dois pensamentos estão muito afastados”.
“O Governo das Filipinas fala de integração e a apresenta como autonomia, mas a FMLI não aceitará nada diferente de uma autonomia genuína”, afirmou o representante dos insurgentes.
Mantawil também reivindicou um maior protagonismo dos mediadores internacionais para destravar o processo depois que a FMLI rejeitou uma oferta de aumento do autogoverno na Região Autônoma de Mindanao, que agrupa cinco províncias de maioria muçulmana no sul do país.
A FMLI publicou o comunicado depois que o Governo filipino anunciou sua intenção de organizar uma reunião em Kuala Lumpur este mês, depois da mantida há duas semanas na capital da Malásia.
A organização islâmica considera irrenunciável sua aspiração de obter um “subestado” com autonomia em assuntos como Polícia e educação, embora sem Exército nem divisa próprios, o que requereria, segundo os analistas, uma reforma constitucional.
O Governo e a FMLI retomaram as conversas em fevereiro, depois da ruptura ocorrida em 2008 quando a conclusão das negociações já estava próxima.
A ilha de Mindanao, controlada pelos sultanatos malaios de Jolo e Maguindanao até a chegada dos colonizadores espanhóis, é agora o lar de quatro milhões de muçulmanos que convivem com nove milhões de católicos.
A FMLI nasceu de uma cisão da Frente Moro de Libertação Nacional quando esta aceitou negociar com o regime de Ferdinand Marcos uma solução que não fosse a independência, e foi constituído formalmente em 1984.
A organização conta com cerca de 12 mil militantes e é o maior grupo separatista das Filipinas.
Quase quatro décadas de conflito étnico, religioso e tribal provocaram milhares de mortes nos dois lados e cerca de dois milhões de refugiados.