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Mundo

Raúl Castro fala de mudanças internas e lança nova proposta aos Estados Unidos

Arquivo Geral

26/07/2007 0h00

Raúl Castro, try presidente provisório de Cuba há um ano, seek aproveitou hoje uma data-chave da história da revolução para fazer um resumo crítico dos problemas econômicos do país, ressaltar a necessidade de mudanças estruturais e estender a mão ao próximo Governo dos Estados Unidos.

Fidel Castro não participou da cerimônia porque está se recuperando de uma grave doença intestinal. O ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) seguiu a tradição e utilizou o discurso de 26 de julho, Dia Nacional da Rebeldia Cubana, para fazer um balanço do ano e determinar o rumo de suas políticas interna e externa.

Ele falou de alguns dos mais graves problemas da economia cubana, como os baixos salários e a pouca produtividade. Antecipou que, apesar de estar trabalhando nas mudanças estruturais necessárias ao país, “não haverá soluções espetaculares”. “É preciso trabalhar com criticismo e criatividade”, afirmou, durante o ato organizado em Camagüey, no centro de Cuba.

“Estamos no dever de nos questionar quanto estamos fazendo, na busca por transformar concepções e métodos que foram os apropriados então, mas já foram superados pela própria vida”, insistiu.

No último ano, “foram necessários ajustes e prorrogações, e não descartamos (a possibilidade de) que seja preciso fazer outros no futuro”, disse o general. Raúl assumiu o poder no dia 31 de julho do ano passado e não conseguiu realizar reformas econômicas significativas.

A solução para o problema salarial, um dos mais urgentes em um país onde o salário médio oficial não supera os US$ 20, passa pelo aumento da produtividade, advertiu.

O salário, reconheceu, “é claramente insuficiente para satisfazer todas as necessidades. Por isso, ele praticamente deixou de cumprir seu papel de assegurar o princípio socialista de que cada um deve contribuir segundo sua capacidade e receber segundo seu trabalho”.

No entanto, “para ter mais, é preciso produzir mais e com racionalidade e eficiência”, afirmou Raúl Castro.

“Estamos diante do imperativo de fazer a terra produzir mais (..) com tratores ou com bois”, acrescentou. Para isso, de acordo com ele, “será preciso introduzir as mudanças estruturais e conceituais que se tornarem necessárias”.

Também na indústria, disse, é necessário recuperar a produção e reduzir as importações. O presidente afirmou que estuda aumentar o investimento estrangeiro, com condições, para evitar erros do passado.

Para Raúl Castro, esses investimentos devem ser feitos por “empresários sérios e sobre bases jurídicas bem definidas, que preservem o papel do Estado e o predomínio da propriedade socialista”.

Em matéria de política internacional, focou seu discurso nos EUA, inimigo histórico de Cuba. O governante disse que estenderá uma mão à Administração que suceder a de George W. Bush, a quem acusou de sustentar um pensamento “retrógrado e fundamentalista, que não deixa margem à análise racional”.

“A nova Administração terá que decidir se mantém a absurda, ilegal e fracassada política contra Cuba ou aceita o ramo de oliveira que oferecemos no 50º aniversário das Forças Armadas Revolucionárias, quando reafirmamos a disposição de dialogar em pé de igualdade” com os EUA, afirmou.

Raúl Castro se referia à proposta de diálogo feita aos EUA no dia 2 de dezembro. Se o próximo Governo aceitar a proposta, “bem-vindo seja”, caso contrário, “estamos dispostos a continuar enfrentando sua política de hostilidade, inclusive por mais 50 anos”, ressaltou.

Suas palavras não deixaram indiferentes muitos dos cubanos que foram ao ato, como Otmar, de 83 anos, que considerou o discurso “uma maravilha, muito sincero”, opinando que seus discursos “são muito concretos, muito firmes nos problemas e na vida real”.

Para Yania, de 35 anos, o discurso foi “muito bom”. “Era algo que precisávamos, foram palavras muito fortes, e acredito que seja verdade que temos que nos retificar”, opinou.

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