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Mundo

Raúl Castro completará um mês como titular em meio a expectativas de reformas

Arquivo Geral

23/03/2008 0h00


O presidente cubano, ampoule Raúl Castro, visit completará na segunda-feira seu primeiro mês como chefe de Estado titular, após um ano e meio em funções interinas devido à doença de Fidel Castro, com o período marcado mais por expectativas de reformas do que por mudanças efetivas.

São expectativas fundadas em anúncios do próprio líder sobre a necessidade de ajustes estruturais nesta ilha de 11 milhões de habitantes, na qual há – disse – muitas proibições, algumas absurdas.

No entanto, Raúl Castro e outros dirigentes do Partido Comunista Cubano advertem que as mudanças serão pensadas, gradativas, sem improvisações, dentro do socialismo e sem trair a revolução.

“Estamos examinando (…) o relacionado à implementação oportuna das idéias do companheiro Fidel sobre a progressiva, gradual e prudente valorização do peso”, disse o presidente ao tomar posse, em 24 de fevereiro, recebido pela velha-guarda revolucionária.

Em Cuba, há um peso conversível em moeda estrangeira e outro para cubanos, que vale 24 vezes menos, e esse era ao qual se referia o governante, de 76 anos.

Raúl Castro esclareceu que a mudança levará em conta “o sistema salarial, os preços no varejo, as gratuidades e os milionários subsídios que atualmente representam vários serviços e produtos distribuídos de uma forma igualitária (…), que nas atuais condições” da economia “são irracionais e insustentáveis”.

Ao mesmo tempo, alguns meios de comunicação anunciaram que os cubanos, após décadas de restrições, ao fim poderão comprar computadores, fornos de microondas, aparelhos de DVD e outros eletrodomésticos.

Responsáveis do Ministério de Comércio Interior cubano disseram à Agência Efe que não descartam essa liberalização, como parte das reformas prometidas por Raúl Castro, mas negaram que já tenham sido emitidas instruções às lojas estatais.

Além disso, seria uma “liberalização” só para a minoria com renda em moeda estrangeira, pois o computador mais barato equivale ao salário de vários anos de um profissional.

Há também versões de que já teria sido suspensa a proibição para que os cubanos entrem nos hotéis para turistas, mas gerentes do setor disseram que não têm ainda nenhuma instrução a respeito.

Houve notícias de outra “liberalização” na venda de produtos para camponeses, mas só foi comprovado um “experimento” em quatro lojas que comercializam há meses uniformes de trabalho e ferramentas básicas, como machados.

Funcionários cubanos falaram também na última semana de mudanças em normas migratórias para facilitar os contatos dos emigrados com suas famílias.

O chefe do departamento de Cultura do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, Eliades Acosta, disse durante uma reunião com emigrantes que o Governo estuda medidas “que serão postas em vigor o mais rápido possível”.

Como em outros casos, não foi precisado em que consistem as mudanças, nem quando serão aplicadas.

Um diplomata europeu comentou que muitos pensam em ritmos de outros lugares, como de países onde os Governos são escolhidos para quatro ou cinco anos, enquanto em Cuba tudo ocorre em períodos mais longos, próprios de uma revolução de cinco décadas que aspira a muitos outros anos.

O diário oficial “Granma” publicou recentemente um artigo no qual seu diretor, Lázaro Barredo, “esfriava” as expectativas.

“A sede no deserto gera miragens”, advertia Barredo, e criticava que “algumas pessoas estão à espera de que o anúncio de determinadas medidas resolva, agora, necessidades domésticas acumuladas”.

Muitos diplomatas e analistas acham que as reformas de Raúl Castro acontecerão, mas alertam sobre o risco de ver em mudanças administrativas uma abertura do regime.


 

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