O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, garantiu hoje que os aliados “farão o que seja necessário e pelo tempo que seja necessário” para “terminar o trabalho” que empreenderam no Afeganistão.
Rasmussen, que confiou em que ao longo do próximo ano haverá grandes avanços no país, advertiu, no entanto, que não há “soluções mágicas” e que “pode ser necessário mais tempo, mais compromisso e mais paciência” para alcançar o “objetivo comum” de estabilizar o país asiático.
O secretário-geral da Otan se expressou assim na abertura da reunião que os aliados mantêm hoje, em Bruxelas, com os países de fora da organização que colaboram no Afeganistão.
Rasmussen deixou claro que, para que o esforço internacional em solo afegão tenha êxito, é preciso “um verdadeiro trabalho de equipe” e lembrou que o que acontecer ali terá “impacto direto” sobre a segurança do resto do mundo.
Após o anúncio de vários países da Otan sobre a intenção de aumentar suas tropas no Afeganistão, na mesma linha do reforço anunciado pelos Estados Unidos, o secretário-geral ressaltou que a Aliança e seus membros terão um número “substancialmente mais alto de forças no terreno”, mais ajuda ao desenvolvimento e uma melhor distribuição da mesma.
“A partir do próximo ano, avançaremos com a transição e a transferência da responsabilidade aos 180 mil soldados das forças afegãs que já treinamos, enquanto continuaremos preparando mais do que nunca”, explicou.
Rasmussen dirigirá hoje em Bruxelas uma reunião de ministros de Exteriores da Otan, na qual os aliados ouvirão as explicações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre a nova estratégia de Washington no Afeganistão, e analisarão o envio de mais tropas ao país.
Ao chegar ao encontro, o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, elogiou o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e considerou que “é o momento de a comunidade internacional reagir e apoiar os esforços para a estabilidade do Afeganistão e Paquistão”.
“Acho que todos e cada um dos ministros neste encontro, cada Governo, devem se perguntar se está fazendo tudo o possível do ponto de vista civil e militar para garantir o êxito no Afeganistão”, disse.
Para Miliband, hoje há “um sentimento de responsabilidade na Otan e os anúncios recentes de países como Turquia e Eslováquia mostram que há uma verdadeira aceitação de que este é o momento”.
O ministro britânico, cujo país já anunciou o envio de mais 500 soldados este mês, disse que o atual é um ponto “vital”, depois “de uma guerra que dura anos” e após os compromissos do Governo afegão e dos novos esforços anunciados por Obama.