FOLHAPRESS
A francesa Gisèle Pelicot, 73, que se tornou um símbolo feminista mundial após recusar o direito ao anonimato no julgamento de seus estupradores, encontrou nesta segunda-feira (23) a rainha Camilla, do Reino Unido.
O encontro aconteceu na Clarence House, residência pertencente à família real em Londres. “Madame Pelicot foi condecorada com a Legião de Honra em 2025, após a incrível coragem, elegância e dignidade com que abriu mão de seu direito ao anonimato no maior julgamento de estupro da França”, escreveu a família real em comunicado.
A Legião da Honra é a mais alta condecoração da França. Foi instituída por Napoleão Bonaparte em 1802 para premiar méritos civis ou militares excepcionais a serviço da nação.
“A coragem de madame Pelicot ao se manifestar em nome de todas as vítimas conquistou admiração mundial, e, no início deste mês, ela publicou suas memórias”, afirmou o Palácio de Buckingham.
Pelicot ficou conhecida mundialmente durante o julgamento de seu marido, Dominique, e de outros homens acusados de estuprá-la enquanto estava dopada e inconsciente. As violências, orquestradas pelo companheiro com quem foi casada por cinco décadas, duraram quase dez anos.
Pelicot rejeitou que o julgamento fosse realizado a portas fechadas, exigindo que fosse público, para que a “vergonha mudasse de lado” e não recaísse mais sobre os ombros das vítimas de estupro.
Dominique Pelicot e mais 50 homens foram condenados pelos estupros em dezembro de 2024. Apenas um recorreu e, em outubro de 2025, teve sua pena aumentada pela Justiça francesa.
Após o julgamento, a francesa recebeu uma carta da rainha Camilla. Na época, a revista Newsweek, citando uma fonte do Palácio de Buckingham, afirmou que a rainha ficou “extremamente afetada” pela história de Gisèle Pelicot. Camilla ficou impressionada “com a extraordinária dignidade e coragem dessa mulher que aceitou a exposição pública”.
Avessa ao público desde o fim do julgamento, Pelicot lançou neste mês o livro de memórias “Um Hino à Vida: A Vergonha Precisa Mudar de Lado”, editado no Brasil pela Companhia das Letras.
Pelicot foi nomeada uma das cem pessoas mais influentes de 2025 pela revista americana Time.