As forças de segurança paquistanesas intensificaram hoje o cerco à Mesquita Vermelha de Islamabad, more about no Paquistão, help após derrubar quase todos os muros, remedy em uma operação que, segundo o clérigo radical que lidera os rebeldes, causou a morte de 305 pessoas no sábado.
O porta-voz do Exército, general Waheed Arshad, admitiu que podem ter ocorrido “algumas mortes”, mas negou a versão oferecida hoje à emissora “Geo TV” pelo clérigo Abdul Rasheed Ghazi.
Segundo Ghazi, as explosões da madrugada passada causaram a derrubada de dois cômodos da escola corânica feminina que faz parte do complexo da mesquita, o que causou a morte de 280 alunas e 25 alunos.
Durante a noite passada, sete fortes explosões foram ouvidas ao redor do templo sitiado. Uma fonte de segurança disse à Geo TV que os fundamentalistas atiraram com armas pesados, o que gerou um intenso tiroteio. Na ação, uma pessoa foi atingida por uma bala a cinco quilômetros de distância.
Segundo a fonte, quase todos os muros externos da mesquita foram derrubados em explosões registradas todas as noites desde o início da crise, as mais recentes ocorridas na madrugada passada, na região da escola Jamia Hafsa.
Com isso, as forças de segurança conseguiram ocupar posições para um ataque, disse a fonte à Geo TV, afirmando que os agentes fizeram “disparos calculados contra os obstáculos” encontrados durante a operação.
Após a denúncia de Ghazi, o porta-voz militar insistiu em que o objetivo da derrubada dos muros é também abrir caminho para os estudantes que quiserem fugir do cerco. Segundo o governo, alguns alunos são, na realidade, reféns de dezenas de radicais armados.
No entanto, Arshad acrescentou que havia um “grande depósito de armas e explosivos” dentro da escola. Por isso, segundo ele, é “possível” que “tenham ocorrido algumas mortes”.
O clérigo radical, que todo os dias se comunica com o exterior através de canais privados de televisão, afirmou no sábado que os rebeldes enterraram os primeiros 40 cadáveres em uma fossa, no terreno da escola.
A imprensa foi proibida de entrar na área, localizada em um bairro comercial no centro de Islamabad, próximo a embaixadas e a sedes governamentais.
A crise na mesquita desviou completamente a atenção do forte movimento de contestação ao presidente paquistanês, Pervez Musharraf, que começou após a destituição, há quatro meses, do chefe do Supremo Tribunal, Iftikhar Chaudhry.
Depois de ser criticado inclusive pela comunidade internacional pela medida adotada contra o juiz, Musharraf passou a ser aplaudido por sua atuação na crise com os radicais da mesquita.
Segundo o jornal Daily Times de hoje, 82,15% dos participantes de uma pesquisa com base em mensagens de celular aprovam a atuação de Musharraf.
O líder da mesquita, Abdul Aziz, foi preso na quarta-feira, quando tentava sair disfarçado com uma burka junto com centenas de mulheres, que se renderam após as primeiras ameaças do governo aos radicais do templo.
Musharraf vem tentando durante dias uma solução negociada com o irmão de Aziz, Ghazi, “número dois” da mesquita. Este, porém, diz estar preparado para o “martírio”, em vez de se render, e afirma que os estudantes o apóiam.
No sábado, o presidente descartou continuar negociando com Ghazi, e exigiu que os “fanáticos” da mesquita saiam de seu esconderijo ou se preparem para morrer.
Em seu “ultimato”, no entanto, o chefe de Estado optou por prolongar o cerco à escola, para evitar a morte de mulheres e crianças em um ataque. Muitas dessas mulheres são estudantes da Jamia Hafsa, as mesmas que nos últimos meses provocaram o Governo com seqüestros de prostitutas e ataques a lojas de música e filmes, que, na sua opinião, não respeitam os preceitos do Islã.
Muitas das crianças são filhos de famílias de regiões tribais e são enviadas à instituição pública para estudar. O Daily Times advertiu hoje que a imprensa pode cair na armadilha de “construir um movimento de pressão para aceitar as exigências de Ghazi”, deixando-o escapar para salvar “mulheres e crianças que são reféns inocentes”.
Outros veículos questionaram a coincidência da crise com uma conferência de partidos paquistaneses de oposição, que está sendo realizada em Londres neste fim de semana.