Segundo dados oficiais, os votos negativos alcançaram 32,9% e o índice de participação ficou em 58%, cinco pontos a mais que na primeira consulta de 2008, quando o eleitorado rejeitou o texto comunitário.
Sete anos antes, os irlandeses se opuseram em plebiscito ao Tratado de Nice, mas acabaram aprovando o pacto em uma segunda consulta popular um ano depois, com quase 63% de votos a favor.
Os resultados finais das 43 circunscrições do país refletem um espetacular giro nas intenções de voto do eleitorado, com um aumento de 20% do lado do “sim” a respeito de 2008.
Só dois distritos eleitorais, ambos no remoto condado noroeste de Donegal, deram as costas ao tratado, chave para a reforma de uma União Europeia (UE) ampliada.
Segundo os especialistas, este significativo aumento nas porcentagens da campanha do “sim” foi favorecido, entre outros fatores, devido à alta participação e à intensa campanha do Governo e de todos os partidos com representação parlamentar, exceto o Sinn Féin.
O ministro de Assuntos Exteriores irlandês, Micheál Martin, também atribuiu o êxito à mudança de estratégia dos políticos, tanto em Dublin quanto em Bruxelas, para se comunicar com os cidadãos e explicar o complexo conteúdo de um documento comunitário.
Neste sentido, disse, os irlandeses foram às urnas sabendo desta vez que o Tratado de Lisboa não coloca em risco a independência do país para legislar assuntos como o aborto ou o divórcio, para manter sua política fiscal e para salvaguardar sua tradicional neutralidade.