A vencedora do Nobel da Paz de 2004, visit web a queniana Wangari Maathai, responsabilizou a oposição pela “violência brutal” vivida no Quênia após as polemicas eleições presidenciais, mas acredita que a raiz do problema está na política de segregação étnica do Governo do presidente Mwai Kibaki.
Em entrevista à edição da revista “Der Spiegel” que começará a circular amanhã, Maathai pede que a oposição tome posturas mais moderadas e apele a seus seguidores a fazerem o mesmo.
“(A oposição) tem que conseguir fazer com que seus seguidores acabem com os saques, assassinatos e destruições. Os líderes da oposição têm que falar em seu idioma com sua gente. Eles têm uma grande influência”, diz a ecologista, ex-vice-ministra do Meio Ambiente do Governo de Kibaki e que acaba de perder sua cadeira parlamentar.
Maathai teme que, se os opositores não se acalmarem, a violência ganhará uma dinâmica própria que será muito difícil de ser controlada.
A ativista confessa que jamais imaginou que em seu país “prenderiam pessoas dentro de uma igreja e depois ateariam fogo nelas”: “Essa violência é incrivelmente brutal, muito forte e muito espontânea”.
Apesar da surpresa que diz sentir pela magnitude da violência, Maathai garante que esse cenário era previsível, pois há muito tempo as pessoas tinham a sensação de não serem tratadas com justiça.
“Neste país, a política, especialmente a do partido do Governo, é notoriamente pautada por linhas étnicas. Os membros de outras etnias (que não a kikuyo) se sentem rejeitados e abandonados”, diz a ganhadora do Nobel de 2004, para quem a crise atual se iniciou há cinco anos, quando Kibaki chegou ao poder.
Maathai afirma que, quando era vice-ministra, já advertia o Governo de que, se continuasse com essa política, o país se dividiria.
Perguntada sobre o resultado das eleições, Maathai evita falar diretamente de fraude, mas diz achar “estranho” a oposição vencer tão claramente o pleito parlamentar e, Kibaki, a corrida presidencial.