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Putin reuniu 50 mil soldados para ofensiva, diz Zelenski

O presidente disse, contudo, que “tomou medidas” para evitar que a ofensiva seja bem-sucedida

Redação Jornal de Brasília

28/05/2025 9h10

Foto: MAXIM SHIPENKOV / POOL / AFP

Foto: MAXIM SHIPENKOV / POOL / AFP

IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, disse nesta quarta (28) que a Rússia concentrou mais de 50 mil soldados na região de Kursk para uma ofensiva contra o nordeste do país que já teve suas primeiras salvas nesta semanas.

Ele confirma assim a avaliação feita à Folha por integrantes do entorno do Kremlin e da Defesa russa, publicada na segunda (26), acerca da ameaça de Putin de agir com a chegada do verão do Hemisfério Norte, quando fica mais fácil se deslocar sem a neve usual no terreno.

O número de 50 mil havia sido calculado por monitores independentes e circulado na imprensa europeia no fim de semana, a partir de imagens de satélite. Segundo Zelenski, ele inclui “as mais fortes” unidades militares dos russos.

O presidente disse, contudo, que “tomou medidas” para evitar que a ofensiva seja bem-sucedida.

Segundo ele, o avanço sobre cidadezinhas fronteiriças na região de Sumi está sendo contido, ainda que sites de monitoramento como o referencial DeepState, que é ucraniano, não indiquem ainda isso.

Já blogueiros militares e analistas russos afirmam que a ofensiva maior pode ou não acontecer lá, podendo ser um diversionismo para um ataque em outras parte da frente de batalha. Nesta quarta, a Rússia anunciou ter tomado Kostiantinivka, em Sumi, e Zelene Pole, em Donetsk (leste).

O que parece certo é que a carta da escalada militar está na mesa para pressionar Kiev enquanto Moscou prepara sua proposta prévia de acordo de paz.

Os ucranianos, segundo disse sem detalhar o enviado americano ao país, Keith Kellogg, já entregaram o memorando deles. Essa movimentação diplomática decorreu do encontro direto entre os rivais, ocorrido há duas semanas na Turquia, que gerou também a maior troca de prisioneiros da guerra, mil de cada lado.

Para marcar posição, Putin promoveu os maiores ataques aéreos da guerra no domingo (25) e na segunda (26), só para ver Trump dizer que ele “tinha ficado completamente louco”. O Kremlin deu de ombros, irritando o americano, que na terça (27) admoestou o colega russo, dizendo que ele estava “brincando com fogo”.

Nesta quarta, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, comentou a frase do americano e disse que seu chefe apenas defende os interesses nacionais. Já um dos negociadores da crise, o assessor presidencial Iuri Uchakov, afirmou que Trump “não está totalmente informado” acerca do conflito, confirmando o estremecimento na aproximação promovida pela republicano.

A ameaça de uma ofensiva maior também pode servir a um propósito mais localizado, como apontou Zelenski, de criar uma nova zona de ocupação fronteiriça no norte e nordeste da Ucrânia que acabe sendo absorvida numa negociação de paz.

Isso, na visão russa, dificultaria ataques futuros como a invasão de Kursk pelos ucranianos em agosto de 2024, uma humilhação militar que Putin só desfez com a retomada em março deste ano.

No campo da troca de fogo aéreo, a Rússia diminuiu a intensidade dos ataques, mas não muito: foram lançados 88 drones e cinco mísseis balísticos nesta noite. Já Kiev manteve força total da semana passada, com os russos dizendo ter derrubado 112 drones -supondo assim um contingente ainda maior lançado.

Peskov disse que não há um local acertado para as próximas negociações. Trump havia sugerido o Vaticano, mas Moscou descartou com a desculpa de ser uma sede católica para rivais ortodoxos. Zelenski falou nesta quarta que Turquia, Suíça e Malta são candidatos.

O porta-voz do Kremlin disse que um eventual encontro direto entre os presidentes rivais é algo ainda fora de cogitação, que dependeria de conversas e acertos.

No mais, segue o atrito entre o Kremlin e o aliados europeus de Kiev. Zelenski está em Berlim e pode voltar com a promessa de mísseis de longo alcance, cujas restrições de uso a Alemanha anunciou não existirem mais. Nesta quarta, o chanceler russo, Serguei Lavrov, voltou a dizer que tal medida é perigosa e pode colocar a Rússia em choque com a aliança militar Otan.

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