Menu
Mundo

Putin oferece ajuda para mediar conversas de paz entre EUA e Irã

EUA e Irã tiveram 21 horas de conversas ontem em um hotel de luxo em Islamabade, no Paquistão

Redação Jornal de Brasília

12/04/2026 11h18

Foto: YURI KADOBNOV / AFP

Foto: YURI KADOBNOV / AFP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ligou neste domingo (12) para o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, para oferecer ajuda nas conversas de paz entre Teerã e Estados Unidos, que acabaram sem um acordo após 21 horas de negociações no sábado.

Putin disse que a Rússia está pronta para “seguir facilitando” um acordo de paz no Oriente Médio. A informação foi dada pelo Kremlin em um comunicado divulgado pela agência de notícias Interfax.

Comunicado menciona a necessidade de “paz justa e duradoura” na região. A Rússia, um aliado próximo do Irã, repudiou os EUA após o ataque de 28 de fevereiro e chamou a morte de Khamenei de um “assassinato cínico”. Semanas depois, porém, o país se colocou à disposição para mediar as conversas.

“Vladimir Putin enfatizou sua disposição em facilitar ainda mais a busca por uma solução política e diplomática para o conflito e em mediar os esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Oriente Médio”, disse comunicado divulgado pelo Kremlin.

Hoje, quem tem o papel de protagonista nas negociações entre Estados Unidos e Irã é o Paquistão, que sediou a primeira reunião entre os países. Nos bastidores, a China, que tem interesse econômico na situação, também trabalha como uma articuladora.

Sem acordo

EUA e Irã tiveram 21 horas de conversas ontem em um hotel de luxo em Islamabade, no Paquistão. Na madrugada de hoje (fim da noite de ontem, no Brasil), o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que os países não conseguiram fechar um acordo.

Segundo Vance, esta é “uma notícia pior para o Irã do que para os Estados Unidos”. “Deixamos bem claro quais são os nossos limites, no que estamos dispostos a ceder e no que não estamos. Fizemos isso da forma mais clara possível, e eles escolheram não aceitar nossos termos”, disse.

As delegações dos dois países deixaram o Paquistão na manhã de hoje. Não há previsão para uma nova rodada de conversas, mas o Irã, que desde o começo da guerra foi relutante a conversar com os EUA, deu sinais de que poderia negociar novamente.

Irã acenou para mais negociações

Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento, iraniano afirmou que, pela experiência em guerras anteriores, a comitiva chegou até o Paquistão com ressalvas sobre os EUA. “Meus colegas apresentaram iniciativas promissoras, mas, no fim, o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, afirmou em uma série de publicações nas redes sociais X e Facebook.

Apesar de falar da falta de confiança, ele sinalizou que o país pode estar aberto para novas negociações.

“A América entendeu a nossa lógica e os nossos princípios. Agora, é hora de decidir se ela pode ganhar a nossa confiança”, disse Ghalibaf.

O presidente do parlamento agradeceu, ainda, ao Paquistão por receber as conversas. “Sou grato pelo esforço do país amigo e irmão”, disse. O Paquistão é um dos poucos países que tem diálogo aberto com os dois lados da guerra e atua como intermediador nas tratativas de paz.

As publicações foram o primeiro pronunciamento oficial de uma de autoridade iraniana após as negociações frustradas no Paquistão. Antes disso, as autoridades só deram declarações por porta-vozes.

Mais cedo, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, fez um pronunciamento público comunicando que, após 21 horas, nenhum acordo foi alcançado.

Pouco antes da fala de Ghalibaf, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do país também deu uma declaração positiva para as negociações. Ele afirmou que discordâncias sobre o Estreito de Hormuz impediram um avanço definitivo, mas que muitos pontos foram acordados entre os dois países durante as conversas.

“Naturalmente, não era esperado que chegássemos a um acordo em uma única sessão. Vamos continuar trabalhando para aproximar as visões dos americanos e dos iranianos”, disse Esmail Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Cessar-fogo frágil

Trump anunciou na terça um cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Os ataques foram suspensos e a trégua começou imediatamente, informou ele em publicação na Truth Social.

A declaração de cessar-fogo ocorreu após pedido do primeiro-ministro do Paquistão, que intermediava as conversas. Ele solicitou uma trégua de duas semanas na guerra no Oriente Médio.

O Irã também aceitou a proposta apresentada pelo Paquistão. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou o comunicado em que afirma que o plano paquistanês com dez pontos “enfatiza questões fundamentais”, como a “passagem regulamentada pelo Estreito de Hormuz sob a coordenação das Forças Armadas do Irã”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país aceita a trégua, mas impôs condições. Abbas Araghchi pediu que os ataques contra o território iraniano fossem interrompidos. O país ordenou ainda a cobrança de taxas de embarcações que transitarem pelo Estreito de Hormuz por parte de Irã e de Omã.

Se confirmada, a cobrança seria inédita, já que a região sempre foi tratada como uma via internacional livre.

No dia seguinte ao anúncio, o Irã acusou Israel de violar o cessar-fogo por seguir bombardeando o Líbano. Tanto Benjamin Netanyahu quanto Donald Trump informaram que o país não estava incluso na trégua por causa do Hezbollah. O Líbano é alvo de ataques desde 2 de março.

No meio da semana, porém, Israel sinalizou que negociaria separadamente a paz com o Líbano. Em comunicado, o gabinete de Benjamin Netanyahu informou que as negociações diretas devem acontecer “o mais rápido possível”.

Uma reunião entre Israel e Líbano está marcada para a próxima semana em Washington D.C., nos EUA.

Poucas horas após confirmar que conversaria com o país, Netanyahu afirmou que “não há um cessar-fogo” em curso.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado