O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou ontem que a ofensiva do Exército no nordeste da Ucrânia não tem como objetivo tomar a cidade de Kharkiv, a segunda maior do país. A ideia, segundo Putin, é criar uma zona-tampão para proteger as cidades russas de serem bombardeadas pelas forças ucranianas.
“Eu disse publicamente que, se isso continuasse, seríamos obrigados a criar uma zona de segurança. É o que estamos fazendo”, declarou Putin, em uma entrevista coletiva em Harbin, norte da China, durante visita oficial ao país. “Quanto ao que está acontecendo na frente de Kharkiv, a culpa é deles (dos ucranianos), porque bombardearam e continuam bombardeando bairros residenciais nas zonas de fronteira, incluindo Belgorod “
A região russa de Belgorod é alvo, há vários meses, de bombardeios e ataques de drones. Kiev afirma que responde desta maneira aos bombardeios russos que atingem com frequência o seu território desde o início da invasão, em fevereiro de 2022.
A Rússia também acusa Kiev de ataques à infraestrutura do país e assassinatos, como a explosão, em outubro de 2022, em uma ponte construída por Moscou que liga o território russo à Crimeia, ocupada pela Rússia desde 2014, ou a morte de Daria Dugina, filha de Alexander Dugin, um dos aliados mais próximos de Putin, que teve seu carro destruído por uma explosão perto de Moscou, em agosto de 2022.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de tomar Kharkiv, Putin respondeu que, no momento, o objetivo não é esse. Segundo o presidente, as tropas avançam todos os dias na região, “como estava previsto”.
Ofensiva
A Rússia iniciou uma ofensiva no nordeste da Ucrânia no dia 10, em um momento de dificuldades para as forças ucranianas no sul e no leste da frente de batalha.
Moscou conseguiu nessa ofensiva as suas maiores conquistas desde o fim de 2022, o que obrigou a Ucrânia a deslocar reforços de outros pontos da frente de batalha. Os russos já entraram mais de 10 quilômetros na região, em um dos avanços mais rápidos desde o inicio da guerra.
Os militares da Ucrânia se veem diante de uma situação crítica no nordeste, enfrentando escassez de tropas enquanto tentam repelir a ofensiva da Rússia, segundo Kirilo Budanov, chefe da agência de inteligência militar da Ucrânia, em entrevista ao New York Times. “A situação está no limite”, disse.
Tal como a maioria das autoridades e especialistas militares ucranianos, o general disse acreditar que a ofensiva russa tem como objetivo desgastar as já escassas reservas de soldados da Ucrânia e desviá-los dos combates em outros locais. “É exatamente isso que está acontecendo agora”, reconheceu o general.
Estadão Conteúdo.