< !--StartFragment -- >O presidente russo, dosage Vladimir Putin, insistiu hoje em entrevista coletiva em que a Rússia percebe como “uma ameaça” a possibilidade que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) seja ampliada até suas fronteiras, em alusão à Ucrânia e Geórgia.
“O surgimento em nossas fronteiras de um bloco militar baseado no artigo 5 é percebido pela Rússia como uma ameaça”, disse o líder russo, após participar de reunião com todos os membros da Otan.
Putin ressaltou que, para dissipar as inquietações russas, “não basta a promessa” da Aliança de que não é mais inimigo da Rússia e que sua ampliação não se dirige contra esse país.
“Ouvimos no passado promessas como essas que não se cumpriram”, disse.
Nesse sentido, lembrou que a Rússia desmantelou grande parte de sua presença militar na Europa, Cuba, Afeganistão e Vietnã, enquanto os Estado Unidos construíram novas bases na Bulgária, Romênia, Polônia e República Tcheca.
“Isso é uma mudança de infra-estrutura militar para nossas fronteiras. Vamos ser sinceros e jogar com as cartas descobertas”, disse Putin.
Segundo o presidente russo, a questão da ampliação representa um “impedimento sério” para o reforço da cooperação entre a Rússia e a Aliança Atlântica.
No entanto, Putin descartou qualquer volta ao clima da Guerra Fria e qualificou de positivo seu encontro de hoje, em Bucareste, com os dirigentes da Otan.
“Não é possível ter uma nova Guerra Fria. Não é de interesse para ninguém. Nenhum ator global, nem os Estados Unidos, nem a Rússia nem a União Européia precisam voltar ao passado”, disse.
Diante das perspectivas de uma eventual entrada da Ucrânia e da Geórgia, duas ex-repúblicas soviéticas, na Otan, Putin destacou que isso não significa que um país seja democrático ou não.
“Vejamos os países do mundo, quantos são democráticos e não são membros da Otan?”, perguntou o líder russo.
“Por exemplo, Ucrânia, se tivesse recebido o convite para entrar na Otan, seria então mais democrática?”, acrescentou.
“A Otan não é um democratizador”, disse Putin, lembrando os problemas sofridos pelas minorias russas nos Estados bálticos, apesar de sua adesão à Aliança. Além disso, o presidente russo reconheceu que o principal foco de tensão na reunião do Conselho Otan-Rússia de hoje foi a disputa sobre a suspensão russa do Tratado de Armas Convencionais na Europa (Face).
“Nós reagimos às políticas de acordo como nos tratam. Queremos ratificar o documento prévio (do Face) ou encontrar um novo. Jogar a culpa em uma só parte não faz sentido”, disse.
Putin reiterou que a Rússia considera que não existe nenhuma obrigação legal para retirar todas suas tropas da Moldávia e Geórgia, como os aliados interpretam uma promessa russa feita na cúpula da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Istambul, em 1999.
Diante da recusa russa de se retirar dessas duas polêmicas ex-repúblicas, os países da Otan se negam a ratificar o tratado revisado, por isso Moscou se retirou do pacto.