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Protestos nos EUA explodem contra ações violentas do ICE sob Trump

Manifestações em massa reagem ao assassinato de Renee Nicole Good por agentes da agência de imigração, criticada por métodos agressivos e violações de direitos humanos.

Redação Jornal de Brasília

13/01/2026 12h51

protestos eua

Foto: Frederic J. Brown / AFP

O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos enfrenta uma onda de protestos em mais de mil cidades do país, desencadeados pelo assassinato da cidadã americana Renee Nicole Good, morta a tiros por agentes da agência em 7 de janeiro, em Minnesota.

Criado em março de 2003, no contexto pós-11 de setembro, o ICE unificou serviços de alfândega e imigração para combater a imigração ilegal considerada ameaça à segurança nacional. Sob o governo de Donald Trump, o orçamento da agência triplicou, alcançando US$ 29,9 bilhões anuais, valor superior às forças armadas de quase todos os países, exceto 16, segundo dados do SIPRI. No primeiro ano da administração, foram contratados 12 mil novos agentes, elevando o efetivo para 22 mil, um aumento de 120%. Além disso, US$ 45 bilhões foram alocados para centros de detenção, representando um crescimento de 265% no orçamento para essa finalidade, superior em 62% ao sistema prisional federal, conforme o Conselho Americano de Imigração.

Esses recursos visam cumprir a promessa de campanha de Trump de deportar cerca de 1 milhão de imigrantes indocumentados por ano, em um país com estimados 14 milhões de pessoas nessa situação, segundo o Pew Research Center. No entanto, organizações de direitos humanos denunciam métodos agressivos empregados pelos agentes, incluindo abordagens em veículos sem identificação e com máscaras, prisões em ruas, escolas e igrejas, e deportações sem devido processo legal, especialmente em comunidades não brancas.

O professor emérito de história da Universidade de Brown, James N. Green, ressalta que os agentes só podem prender imigrantes com mandado judicial e em casos de crimes, mas as metas elevadas levam a práticas truculentas para intimidar a população. Ele destaca um movimento crescente para educar imigrantes sobre seus direitos.

A morte de Renee Good gerou comoção nacional e mobilização solidária. Manifestantes protegem indocumentados, com ações de brancos em solidariedade a latinos e outras minorias, algo inédito segundo Green. Em Minnesota, o ICE lamentou interferências de manifestantes em suas operações contra ‘imigrantes ilegais criminosos’.

Críticos, como o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, da UFRJ, comparam o ICE a uma ‘polícia política’ semelhante à Gestapo, mirando indígenas, negros e pardos. A ONG Represent Us aponta falta de transparência e salvaguardas. O cientista político Fábio de Sá e Silva, da Universidade de Oklahoma, critica a leniência de instituições como o Congresso e a Suprema Corte, que legitimam abordagens baseadas em estereótipos.

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