Dezenas de milhares de pessoas usaram velas acesas em uma manifestação hoje em Copenhague para pedir um acordo na Cúpula da ONU sobre a Mudança Climática (COP15), que acontece na capital dinamarquesa.
O protesto de 25 mil pessoas, segundo a Polícia, e 100 mil, de acordo com os organizadores do protesto, terminou com quase 400 detenções.
A passeata chegou ao fim do lado de fora do centro de convenções Bella Center, sede da cúpula da ONU, que termina no próximo dia 18.
Políticos, sindicalistas, indígenas, pacifistas e membros de ONGs quiseram lembrar os líderes mundiais da necessidade de um acordo devido à gravidade dos efeitos da mudança climática, uma questão de “direitos humanos”, nas palavras da ex-presidente da Irlanda Mary Robinson.
Robinson e o arcebispo sul-africano Desmond Tutu presidiram uma vigília especial no lado de fora do Bella Center para criar um mar de velas e entregar aos negociadores e líderes mundiais uma mensagem global a favor de um acordo sobre o clima.
A grande manifestação ocorrida hoje em Copenhague fez parte de um dia global de ações em mais de 130 países, que incluíram vigílias similares em cidades como Cabul, Madagascar e Jerusalém.
O protesto no Bella Center terminou com 400 detenções de pessoas de diferentes nacionalidades depois que um grupo de ativistas começou a atirar pedras contra edifícios dos arredores, como a sede do Ministério de Assuntos Exteriores dinamarquês e a Bolsa de Valores de Copenhague.
A Polícia dinamarquesa informou que houve mais detenções hoje em outros pontos da cidade. Por isso, o número final de detidos ainda é desconhecido, embora “significativo”.
O grupo Climate Collective anunciou para amanhã uma ação para bloquear as atividades comerciais do porto de Copenhague, outra das principais atividades de protesto convocadas durante a cúpula na capital dinamarquesa.
Aderiram à manifestação 516 organizações de 67 países, desde sindicatos a ONGs, grupos indígenas, pacifistas, comunistas, anarquistas e anticapitalistas, entre outros.
“O mundo quer um acordo real”, “Salvem os humanos”, “Ação agora” e “Outro mundo é possível” foram algumas das palavras de ordem usadas durante a passeata de seis quilômetros entre a praça de Christiansborg, sede do Parlamento dinamarquês, até o Bella Center.
“Milhões de pessoas já estão perdendo seus lares com o aumento do nível do mar. Não podemos desperdiçar esta oportunidade para evitar que a mudança climática fique fora de controle”, declarou Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace, pouco antes do início da marcha.
“Aos mais de 120 chefes de Estado que chegarão na próxima semana a Copenhague, dizemos: é o momento de se unir e mudar o futuro”, concluiu Naidoo, um dos oradores no palco montado na praça de Christiansborg.