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Mundo

Protesto contra mudança de capital na Bolívia reune quase 1 milhão de pessoas

Arquivo Geral

20/07/2007 0h00

Os moradores de La Paz afirmaram hoje em uma grande manifestação que não aceitarão a mudança de sede do Governo da Bolívia para Sucre, abortion antiga capital do país.

A concentração popular, realizada em El Alto, cidade vizinha a La Paz, ultrapassou as expectativas da polícia departamental (estadual). Segundo policiais, a “assembléia” nas ruas reuniu mais de 1 milhão de pessoas.

Segundo a imprensa local e autoridades, foi o maior número de participantes já visto num protesto na Bolívia.

O comandante da Polícia de La Paz, coronel Manuel Saavedra, elogiou a conduta dos cidadãos. Segundo ele, os manifestantes foram até El Alto “em absoluta ordem”.

Apesar de os manifestantes terem à disposição transporte gratuito desde cedo, alguns tiveram que percorrer os últimos dois quilômetros a pé, já que os carros não podiam andar entre a multidão.

María Quisbert – uma das voluntárias de La Paz que coordenaram o protesto – a manifestação de hoje foi “histórica”. De acordo com ela, o protesto serviu para mostrar que o povo “está unido” contra a possível mudança de sede do governo.

O apelo à “unidade” de todos os bolivianos foi a tônica dos discursos pronunciados por vários dirigentes regionais, municipais, vizinhos, operários e camponeses.

Claudio Álvarez, da Central Operária Regional de El Alto, afirmou que a proposta de mudança da capital foi feita pela direita boliviana. Para ele, essa mudança pretende “confrontar” os cidadãos e dividir o país.

O presidente da Federação de Associações de Moradores (Fejuve) de El Alto, Nazario Ramírez, foi além e declarou que a mobilização de hoje é “contra os partidos neoliberais, a oligarquia econômica e a política”.

Os representantes do departamento de Chuquisaca na Assembléia Constituinte iniciaram o conflito quando afirmaram que Sucre deve voltar a abrigar os poderes Executivo e Legislativo.

Até 1899, a cidade era a sede do Governo boliviano. A mudança ocorreu durante uma guerra civil na Bolívia. O poder judiciário, no entanto, continuou em Sucre.

A proposta de Chuquisaca tem o apoio dos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, governadas por opositores do presidente Evo Morales.

Os manifestantes decidiram que vão exigir da Constituinte a eliminação definitiva de debates sobre a mudança de sede do Governo.

Caso a discussão não termine até 6 de agosto, os moradores de La Paz ameaçaram começar uma greve por tempo indeterminado e uma mobilização geral. No mesmo dia será comemorado o Dia da Pátria e a Assembléia completa um ano de funcionamento.

O Governo manifestou diversas vezes que rejeita a idéia de a Constituinte discutir a transferência de sede. O presidente Evo Morales se mostrou a favor de La Paz, ao afirmar que a região deve continuar como símbolo da “unidade” do país.No entanto, nenhum membro do Governo participou hoje da assembléia.

La Paz e El Alto, duas das cidades mais populosas da Bolívia, fazem parte de uma região com mais de 2,7 milhões de habitantes. Em Chuquisaca vivem cerca de 620 mil pessoas.

“É a primeira vez que vejo tanta gente”, disse o morador de El Alto Grober Vargas.

“Não temos dinheiro suficiente para transferir a sede”, afirmou Vargas, mencionando um dos argumentos mais sólidos dos opositores da mudança.

Segundo cálculos da Câmara Nacional de Comércio (CNC), o Estado precisaria de mais de US$ 10 bilhões para transferir para Sucre toda a infra-estrutura instalada há 108 anos em La Paz.

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