Cerca de 60 pessoas morreram hoje em Conacri, a capital da Guiné, quando as forças de segurança dispersaram uma grande manifestação organizada pela oposição à junta militar que governa o país, informou a imprensa local e do Senegal.
Correspondentes em Conacri da rádio privada senegalesa “RFM” citam fontes do hospital universitário de Donka, que confirmam que, pelo menos, 58 corpos foram levados ao necrotério do centro de saúde, “em sua maioria com ferimentos de bala”.
Um médico do hospital qualificou de “açougue” a violência com que a Polícia reprimiu a manifestação da oposição, que protestava contra uma eventual candidatura nas eleições presidenciais, convocadas para janeiro próximo, do chefe da junta militar no poder, o capitão Moussa Dadis Camara.
A fonte do hospital de Donka confirmou também que dezenas de pessoas feridas, algumas como gravidade, foram internadas nesse hospital.
Entre os feridos estão dois ex-primeiros-ministros guineanos: Cellou Dalein Diallo e Sidya Touré, que foram detidos e conduzidos a um quartel militar, como indicou a emissora.
Dezenas de milhares de pessoas tinham se reunido no estádio “28 de Setembro” de Conacri, que se encontra isolado pelas forças de segurança, enquanto os enfrentamentos entre os manifestantes e os soldados se estenderam a vários bairros populares da capital.
Segundo fontes oficiais, os manifestantes ignoraram uma proibição do Ministério de Segurança que, no domingo, anunciou que todos os protestos públicos estariam suspensos no país até 3 de outubro próximo.
A Junta Militar liderada por Camara chegou ao poder em um golpe de Estado em 23 de dezembro de 2008, poucas horas depois da morte do presidente Lansana Conte, que tinha ocupado o poder na Guiné durante 24 anos.