A promotoria do tribunal internacional para o genocídio do Camboja pediu hoje uma pena de 40 anos de prisão para o chefe torturador do Khmer Vermelho, Kaing Guek Eav, conhecido como “Duch” e ex-diretor do centro de torturas da organização maoísta.
Duch dirigiu entre 1975 e 1979 a prisão secreta de Tuol Sleng, também conhecida como S-21 e pela que passaram mais de 12 mil cambojanos antes de serem executados ali mesmo ou nos campos de extermino de Choeung Ek aos arredores da capital.
Os fiscais optaram por não solicitar a sentença máxima de prisão perpétua.
Durante todo o processo, o chefe torturador do Khmer Vermelho admitiu sua responsabilidade pelos atos de barbárie e pediu perdão às vítimas.
Mas a promotoria lhe recrimina que “ainda não admite que o fez por vontade própria e insiste em assegurar que foi porque cumpria ordens ou que atuava sob a ameaça de seus superiores”.
A audiência de hoje se centrará na apresentação dos argumentos finais de ambas partes, enquanto “Duch” se dirigirá aos juízes para desculpar-se mais uma vez por seus atos.
Kaing Guek Eav é o primeiro ex-oficial do Khmer Vermelho, e de menor categoria, que julgará o tribunal internacional organizado pela ONU e Camboja após longas e tortuosas negociações que começaram em 1997.
Quase dois milhões de cambojanos morreram por causa da crise de fome, doenças e aos expurgos políticos ordenados pelo regime maoísta de Pol Pot entre 1975 e 1979.
Ainda devem ser julgados Khieu Samphan, ex-presidente da República Democrática de Kampuchea; Nuon Chea, “irmão número dois” e ideólogo da organização; Ieng Sary, ex-ministro de Assuntos Exteriores; e sua esposa Ieng Thirit, ex-titular de Assuntos Sociais.
Pol Pot morreu na selva cambojana em 1998, quando o Khmer Vermelho estava à beira do desaparecimento pelas deserções e lutas internas.