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Promotoria de Milão pede julgamento imediato de Berlusconi

Arquivo Geral

09/02/2011 15h21

A Promotoria de Milão solicitou nesta quarta-feira um julgamento imediato para o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, por seu envolvimento no caso Ruby, no qual o governante é investigado por incitação à prostituição de menores e abuso de poder.

Agora cabe à juíza para investigações preliminares, Cristina Di Censo, decidir sobre a solicitação.

Após saber do pedido, Berlusconi, de 74 anos, denunciou que se trata de uma “vergonha e um nojo, que enche o país de lama” e reiterou que a Promotoria milanesa não é competente neste caso e que a iniciativa tem um fim “subversivo”.

“Estas medidas violam a lei e vão contra o Parlamento, porque a Promotoria de Milão não tem competência nem funcional nem territorial”, disse Berlusconi em entrevista coletiva, na qual acrescentou que as acusações são “infundadas” e a investigação uma “farsa” que tem como única finalidade a “difamação midiática”.

Berlusconi afirmou que as acusações, além de ofender a dignidade da Itália, também “jogaram lama” sobre sua pessoa “a nível internacional”.

“Não sei quem pagará. Pagará o Estado porque naturalmente tentarei processar o Estado”, acrescentou.

Berlusconi reiterou que não houve abuso de poder, em referência à ligação que ele fez para uma delegacia de Milão em 27 de maio para que libertassem a jovem marroquina Ruby R. – detida por roubo -, alegando que se tratava da sobrinha do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

“Intervi como chefe do Governo porque me preocupava que pudesse ocorrer um incidente diplomático internacional”, disse, reiterando que estava convencido de que se tratava de uma sobrinha do líder egípcio.

Ele também negou ter incitado a prostituição de menores.

Berlusconi acrescentou que não se preocupa com ele, “um velho rico que pode se dedicar a fazer hospitais para crianças”, como sempre desejou.

No entanto, o promotor-chefe de Milão, Edmondo Bruti Liberati, disse nesta quarta-feira que existem provas que permitiriam julgar Berlusconi por este crime.

A juíza Cristina Di Censo deverá decidir se o processa pelos dois crimes ou só por um deles.

Além disso, pode decidir se o caso é competência do Tribunal de Milão ou do Tribunal de Ministros.

A documentação enviada pela Promotoria à juíza tem 782 páginas.

Além de Berlusconi, pelo caso Ruby também serão investigados por incitação à prostituição o agente Lele Mora; o diretor de noticiários do canal “Rete 4” (propriedade do primeiro-ministro), Emilio Fede; e a conselheira da região da Lombardia Nicole Minetti.

Enquanto os promotores basearam a hipótese de crime de abuso de poder na ligação que Berlusconi fez para a delegacia, o de incitação à prostituição de menores está baseado em várias intercepções telefônicas a jovens que participaram das festas do governante.

A Promotoria acredita que Ruby manteve relações sexuais com Berlusconi em troca de presentes e dinheiro quando ainda era menor de idade.

O “Il Giornale”, da família Berlusconi, informou na terça-feira que os defensores de Berlusconi trabalham para provar que Ruby não nasceu em 1992, mas em 1991, o que significaria que a jovem era maior de idade quando participou das festas do primeiro-ministro.

Neste sentido, o promotor-chefe de Milão informou nesta quarta-feira que a jovem está sendo investigada pela Promotoria de menores por ter proporcionado “informações falsas” em maio de 2010, quando disse se chamar Ruby Heyek e ter nascido em 1º de novembro de 1991.

O líder do Partido Democrata (PD, na oposição), Pier Luigi Bersani, criticou duramente Berlusconi e assegurou que “o país não está representado de modo crível”.

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