A Promotoria do Tribunal criminal de Paris pediu hoje 20 anos de prisão para o ex-dirigente da ETA Juan Ibón Fernández Iradi, “Susper”, e penas que variam de cinco a 18 anos para os outros seis supostos membros da organização militar.
Para o promotor Olivier Bray, que insistiu em que durante o período em que ocorreram os fatos – entre dezembro de 2002 e dezembro de 2003 – Fernández Iradi era “o chefe da organização militar do grupo”, reivindicou 18 anos de prisão para Gorka Palacios Alday, naquela época “o comandante”, e 15 anos para Juan Luis Rubenach Roiz, responsável da logística do grupo militar.
Bray solicitou 12 anos para José Miguel Almandoz Erviti e prisão também para Íñigo Vallejo Franco, e explicou que ambos trabalhavam juntos na formação de ativistas da ETA quando foram detidos em 9 de dezembro de 2003, em uma casa em Lons, próximo do Palacios Alday e Rubenach Roiz.
Os outros dois que dividiam o apartamento francês de “Susper”, em Mont de Marsan, receberam condenações menores. Eles estavam no imóvel quando ocorreu a operação policial que permitiu a prisão dos três em 4 de dezembro de 2003: oito anos para Patxi Abade Urkixo em cinco anos para Garazi Aldana.
Com dupla nacionalidade espanhola e francesa, Garazi é a única que permanece livre no processo – sob controle judicial – e para ela o representante do Ministério Público deixou ao Tribunal à apreciação sobre se deveria ou não voltar para prisão, levando em consideração seu passado psiquiátrico, mas também de seu risco de reincidência.
Bray pediu o cumprimento efetivo de dois terços das penas. Após a soltura, todos devem ser expulsos da França.
Após lembrar que Fernández Iradi já foi condenado em duas ocasiões na França, a 30 anos e a 15 anos de prisão, respectivamente, destacou seu papel à frente da organização militar, que “é o de centro do dispositivo do terror” do grupo, e como tal “diretamente responsável” pelos 828 mortos que a ETA fez em seu histórico.
Entre os documentos expropriados de “Susper”, em Mont de Marsan, havia informação detalhada sobre possíveis alvos de atentados, entre estes, políticos bascos e o socialista Rodolfo Ares.
O aspecto peculiar do processo é que junto às acusações que pesam sobre os supostos “terroristas” julgados na França, – como fazer parte de uma organização terrorista, levar armas, posse de explosivos, usar documentos falsos, receptação de diversos bens roubados, em particular carros – é que todos são acusados por tentativa de extorsão.
Sobre esta acusação, o promotor insistiu em que os membros da organização militar “participavam da extorsão” para obrigar os empresários bascos e espanhois a pagarem pelo chamado “imposto revolucionário”.
Bray afirmou em repetidas ocasiões que entre os arquivos de computadores que foram encontrados em Mont de Marsan, havia fichas de 125 empresários cujos dossiês tinham passado para as mãos da organização militar porque se negavam a pagar o dinheiro que a ETA reivindicava.